Fotos: Sérgio Sanderson
Rabo curto, língua afiada...
O newsletter Pitoco completou 15 anos de circulação no último dia 27 de janeiro. Dono de uma trajetória ímpar na imprensa local, formato e conteúdo inovadores, o pequeno jornal escreveu seu nome na história do município pelo olhar diferenciado sobre episódios que em uma primeira análise podem parecer corriqueiros demais para serem noticiados. Transformar o que está apenas insinuado em notícia e chegar de forma auto-sustentada a um público abrangente foi o grande feito do Pitoco nesta década e meia. Aqui, o editor e criador do projeto, Jairo Eduardo, concede uma espécie de “entrevista coletiva” para alguns de seus eleitores mais ilustres. Acompanhe.
Álvaro Dias - Senador
Temos na fauna política alguns democratas falsificados, que gostam da imprensa até onde ela não os incomoda. O Pitoco sofreu perseguições, aborrecimentos e censura dos políticos denunciados?
Jairo Eduardo - Nossa trajetória foi marcada por intimidações. Recentemente recebemos uma autuação proveniente destas tentativas, movida por gente influente do mundo político incomodada com o que publicamos. Estamos pagando um montante em dinheiro abusivo e desproporcional à receita do informativo em função disso. Respondemos vários processos e vivenciamos incontáveis ameaças abertas e veladas. Belos discursos enaltecendo a liberdade de opinião são apenas figura de retórica na boca de alguns dissimulados. Porém, quando optamos por esse formato, sabíamos que não seríamos recebidos com banda de música e flores nos corredores palacianos.
José Orildo Pasa - Rádio Colméia
Durante esses 15 anos na imprensa escrita, muitos tentaram copiar o Pitoco e não conseguiram. Como é ser exclusivo no segmento?
Nunca me incomodei com as cópias. Antes pelo contrário, é motivo de orgulho produzir algo que tenha encantado as pessoas a ponto de tentarem fazer igual. Talvez algumas iniciativas neste sentido tenham sido movidas por uma falsa constatação. Ou seja, aparentemente é fácil e barato fazer um jornalzinho em plataforma “folha de sulfite”. Porém, sem querer desestimular projetos semelhantes, lhe asseguro que é preciso transpor pelo menos duas barreiras bastante respeitáveis: 1ª) conquistar alguém que esteja disposto a ler o que você escreve em um mundo de múltiplas mídias; e, 2ª) conquistar gente disposta a pagar para ler e financiar o projeto. O fato de estarmos sozinhos neste mercado é bastante relativo. Hoje, todo internauta é um potencial produtor de conteúdo noticioso. Nunca tivemos tantos concorrentes.
Gilmar Piolla - Jornalista da Itaipu
Diz a anedota que devemos cortar o rabinho do cachorro bem rente, para que não haja nenhuma manifestação de simpatia na visita da sogra. O nome Pitoco tem algo a ver com a piada da sogra?
Boa, essa! Merece um lugarzinho na seção “Só Rindo”. O nome “Pitoco” surgiu pela primeira vez na boca do jornalista Robinson Nogueira (in memorian). Em uma roda de profissionais da imprensa, onde eu me incluía, no ano de 1996, ele disse algo assim: “a mídia regional é muito provinciana, chapa branca, tínhamos que montar aqui um tablóide, tipo um pitoco que não tivesse o rabo preso”. Ele até cogitou montar algo assim em Toledo. Meses depois liguei para o Robinson e perguntei se ele iria montar o jornal. Diante da negativa dele, pedi autorização para usar o nome e o slogan.
Edgar Bueno - Prefeito de Cascavel
O Pitoco é fonte de credibilidade em Cascavel, graças ao teu trabalho e da equipe. Vocês criaram a Aldeia porque o Pitoco ficou pequeno para sua organização? Você imaginou que a Aldeia alcançaria este sucesso ?
O Pitoco facilitou a gestação da Aldeia. A estrutura logística montada para o jornal, que atende todos os recantos de Cascavel e mais de vinte municípios da região, foi utilizada para distribuir a revista. E o informativo ajudou a projetar a nova publicação no mercado. Porém, os méritos do sucesso da Aldeia, veículo impresso mais premiado da região, são todos de minha sócia Rejane, da Laidir, do Fredy e da nossa equipe de colaboradores. Acredito muito no projeto da revista, e tenho colocado minhas energias nele.
Beto Richa - Governador do Paraná
O Pitoco circula impresso, mas foi um dos pioneiros na internet. Hoje há um debate sobre a transição da mídia impressa para a digital. O jornal como conhecemos hoje vai ser substituído pelo digital? Quanto tempo levaria este processo? Ou os dois suportes vão partilhar espaço entre os leitores?
Esse é um dilema que subtrai horas de sono desde o diretor do jornalzinho no interior do Paraná até o grande executivo do New York Times. Como atuar nos dois suportes sem sangrar as receitas que asseguram a qualidade do jornalismo? De minha parte, desde que decidi financiar o projeto pelos próprios leitores, através da venda de assinaturas, nunca disponibilizei conteúdo integral na internet. Aqui se aplica aquela variante da frase extraída do mundo político: “o maior castigo das pessoas que não gostam de política é serem governadas por aqueles que gostam”. Adaptando esse raciocínio, eu diria: o castigo de uma sociedade que não quer financiar a imprensa livre para economizar na internet é ter os veículos de comunicação financiados por interesses ilegítimos.
Olga Bongiovanni - Apresentadora
Nesses 15 anos alguém já tentou colocar coleira enforcadoura no Pitoco?
Houve e há várias aproximações principalmente do mundo político para atenuar os latidos. Isso é normal. Não destrato ninguém que me procura para aproximações ou para cessar hostilidades. Não sou o dono da opinião pública e nem me considero mais influente que os demais veículos de comunicação. Não vendo minha imagem como a do último dos incólumes do jornalismo e nem tenho a pretensão de intimidar ou coagir alguém. Nós, jornalistas, precisamos estar sempre nos policiando para não sermos arrogantes e prepotentes. A humildade, ao meu ver, é a rainha das virtudes. Porém, quem conhece meu trabalho sabe que não aceito alinhamento político. Estou desfiliado de partido e só participo do mundo das urnas como eleitor crítico e exigente.
Assis Gurgacz - Empresário
O formato atual será mantido? Não é o momento de ampliar o jornal?
Chegamos a pesquisar para “tirar o pulso” de nossos assinantes. A resposta majoritária para essa pergunta foi: “se alterar o formato descaracteriza o produto”. Assim sendo, manteremos a folhinha de sulfite com notícias na frente e no verso. Não que isso torne nosso serviço mais fácil. Acredito que escrever uma extensa ata é mais simples que resumir todas as informações essenciais em poucas linhas. Exercitar a capacidade de síntese é algo que nos desafia em todas as edições.
José Dirceu - Ex-ministro
Quais as principais mudanças que o Pitoco acompanhou, viveu e viu no Brasil nos seus 15 anos de vida? E o que ele quer para nosso País nos próximos 15?
Vi nosso país sair da idade das pedras para algo próximo da idade medieval. Há muito para avançar, ainda. Vou pedir para os próximos 15 anos um esforço educacional de toda a sociedade e um mergulho da população na luz das letras visando libertar-nos do mais cruel de todos os grilhões, a ignorância. Que as pessoas se lapidem para algo além da educação formal. E possam exercitar a tolerância com o pensamento diverso e não se omitam diante do novo papel que nosso país vai exercer no tabuleiro mundial.
Evandro Roman - Secretário de Esportes do Paraná
Qual foi a edição que lhe trouxe mais satisfação pessoal?
Eu poderia citar muitas, pois minha atividade preferida é escrever pitocos, porém prefiro acreditar que essa edição ainda está por vir...
Jorge Samek - Presidente da Itaipu
Inicialmente, parabéns pela forma ágil e inteligente de informar. O que mais te agrada e o que mais te angustia no exercício de sua profissão?
Me agrada interagir com milhares de pessoas e encontrar ângulos inusitados para notícias que parecem banais. Me agrada ter o texto que produzi lido por alguém. É a realização de todo escritor: ter sua obra consumida por ávidos leitores. Me angustia, e muito, o grau de exigência que autoimponho. Nunca estou contente com meu trabalho. Leio e releio a edição várias vezes e sempre concluo que poderia ter feito algo melhor.
Hermes Parcianello - Deputado Federal
No espectro político cascavelense, o alinhamento editorial do Pitoco, inobstante visíveis esforços de manter-se corretamente em campo neutro, está ao lado do PIB ou das massas?
Ótima pergunta. Gostaria de dizer poeticamente aquilo que o Almir Satter já cantarolou, sobre o sabor das massas e das maçãs... Porém, hoje sou um descrente da tese da qual já partilhei, aquela da luta de classes. Penso que se o Eike Batista ficar alguns bilhões mais rico, ele poderá abrir oportunidades para os pés-descalços e descamisados citados pelo Collor de Melo. Objetivamente: não pretendo bajular o PIB, pois os caras ricos da política não precisam de meus elogios. Na outra ponta, não cultivo a pretensão de – com um panfleto noticioso - resgatar o povão de suas carências.
Dilvo Grolli - Presidente da Coopavel
O Pitoco já nasceu com uma linha editorial clara e objetiva, contribuindo para com o público executivo, que precisa ser informar mas não tem tempo para ler extensas reportagens. Pretende continuar nessa linha de informar à sociedade por meio de notas curtas?
Nosso desafio de cada edição é falar muito com poucas letras. E na medida do possível, navegar para além da superficialidade. Sem querer, acabamos acertando no formato. Nunca na trajetória humana tantos receberam tantas informações por tão múltiplos meios. O desafio do jornalista hoje é ser direto, claro e conciso. Vamos permanecer nesta toada...
Gilberto Martignoni - Empresário
De onde sai tanta notícia? Quem são e onde estão suas fontes?
Fonte é preciso cultivar todos os dias. E é preciso conquistar a confiança destas pessoas. Ajuda nesta questão o fato de eu ser nascido em Cascavel e conhecer muito bem as figurinhas da cidade. Afora isso é preciso desenvolver um olhar para os fatos, invocar o faro jornalístico para encontrar aquilo que está apenas insinuado; as vezes, nem isso...
Gleisi Hoffmann - Ministra-chefe da Casa Civil
A linguagem é um fator determinante para aproximar o leitor à notícia. O Pitoco já nasceu com essa percepção?
Acredito que o fator de aproximação está mais no formato que lembra um gibi, instrumento que iniciou minha geração no hábito da leitura. A linguagem é sim determinante, porém, entre escrever o coloquial para todo mundo entender e utilizar o rico vernáculo do nosso idioma, muitas vezes preferi a segunda opção. Há o risco de elitizar um pouco, restringir o entendimento pleno, porém é preferível nivelar por cima para atuar também de forma educativa.
Edson Campagnolo - Presidente da Fiep
Como você avalia o desenvolvimento industrial da região Oeste?
Promissor, porém tardio. O Paraná precisa rever sua política de fomento à industrialização. A concentração das políticas para o setor na região metropolitana é ruim até para a capital, já que estimula o êxodo do interior e o inchaço urbano. Embora hajam relevantes razões logísticas para o investidor preferir a região de Curitiba, políticas públicas podem promover uma melhor distribuição geográfica das oportunidades.
Luciano Hang - Empresário
Até onde vai o Pitoco?
Geograficamente não há limites. Se houver alguém disposto a ler o jornal no planeta Marte e lá houver uma plataforma para receber uma assinatura eletrônica, eu envio. Se depender de minha disposição, vou escrever o jornal duas vezes por semana até os 97 anos de idade. Após essa idade vou reduzir a periodicidade para uma vez por semana; afinal, ninguém é de ferro e precisarei dar uma atenção para meus bisnetos...
Temos na fauna política alguns democratas falsificados, que gostam da imprensa até onde ela não os incomoda. O Pitoco sofreu perseguições, aborrecimentos e censura dos políticos denunciados?
Jairo Eduardo - Nossa trajetória foi marcada por intimidações. Recentemente recebemos uma autuação proveniente destas tentativas, movida por gente influente do mundo político incomodada com o que publicamos. Estamos pagando um montante em dinheiro abusivo e desproporcional à receita do informativo em função disso. Respondemos vários processos e vivenciamos incontáveis ameaças abertas e veladas. Belos discursos enaltecendo a liberdade de opinião são apenas figura de retórica na boca de alguns dissimulados. Porém, quando optamos por esse formato, sabíamos que não seríamos recebidos com banda de música e flores nos corredores palacianos.
José Orildo Pasa - Rádio Colméia
Durante esses 15 anos na imprensa escrita, muitos tentaram copiar o Pitoco e não conseguiram. Como é ser exclusivo no segmento?
Nunca me incomodei com as cópias. Antes pelo contrário, é motivo de orgulho produzir algo que tenha encantado as pessoas a ponto de tentarem fazer igual. Talvez algumas iniciativas neste sentido tenham sido movidas por uma falsa constatação. Ou seja, aparentemente é fácil e barato fazer um jornalzinho em plataforma “folha de sulfite”. Porém, sem querer desestimular projetos semelhantes, lhe asseguro que é preciso transpor pelo menos duas barreiras bastante respeitáveis: 1ª) conquistar alguém que esteja disposto a ler o que você escreve em um mundo de múltiplas mídias; e, 2ª) conquistar gente disposta a pagar para ler e financiar o projeto. O fato de estarmos sozinhos neste mercado é bastante relativo. Hoje, todo internauta é um potencial produtor de conteúdo noticioso. Nunca tivemos tantos concorrentes.
Gilmar Piolla - Jornalista da Itaipu
Diz a anedota que devemos cortar o rabinho do cachorro bem rente, para que não haja nenhuma manifestação de simpatia na visita da sogra. O nome Pitoco tem algo a ver com a piada da sogra?
Boa, essa! Merece um lugarzinho na seção “Só Rindo”. O nome “Pitoco” surgiu pela primeira vez na boca do jornalista Robinson Nogueira (in memorian). Em uma roda de profissionais da imprensa, onde eu me incluía, no ano de 1996, ele disse algo assim: “a mídia regional é muito provinciana, chapa branca, tínhamos que montar aqui um tablóide, tipo um pitoco que não tivesse o rabo preso”. Ele até cogitou montar algo assim em Toledo. Meses depois liguei para o Robinson e perguntei se ele iria montar o jornal. Diante da negativa dele, pedi autorização para usar o nome e o slogan.
Edgar Bueno - Prefeito de Cascavel
O Pitoco é fonte de credibilidade em Cascavel, graças ao teu trabalho e da equipe. Vocês criaram a Aldeia porque o Pitoco ficou pequeno para sua organização? Você imaginou que a Aldeia alcançaria este sucesso ?
O Pitoco facilitou a gestação da Aldeia. A estrutura logística montada para o jornal, que atende todos os recantos de Cascavel e mais de vinte municípios da região, foi utilizada para distribuir a revista. E o informativo ajudou a projetar a nova publicação no mercado. Porém, os méritos do sucesso da Aldeia, veículo impresso mais premiado da região, são todos de minha sócia Rejane, da Laidir, do Fredy e da nossa equipe de colaboradores. Acredito muito no projeto da revista, e tenho colocado minhas energias nele.
Beto Richa - Governador do Paraná
O Pitoco circula impresso, mas foi um dos pioneiros na internet. Hoje há um debate sobre a transição da mídia impressa para a digital. O jornal como conhecemos hoje vai ser substituído pelo digital? Quanto tempo levaria este processo? Ou os dois suportes vão partilhar espaço entre os leitores?
Esse é um dilema que subtrai horas de sono desde o diretor do jornalzinho no interior do Paraná até o grande executivo do New York Times. Como atuar nos dois suportes sem sangrar as receitas que asseguram a qualidade do jornalismo? De minha parte, desde que decidi financiar o projeto pelos próprios leitores, através da venda de assinaturas, nunca disponibilizei conteúdo integral na internet. Aqui se aplica aquela variante da frase extraída do mundo político: “o maior castigo das pessoas que não gostam de política é serem governadas por aqueles que gostam”. Adaptando esse raciocínio, eu diria: o castigo de uma sociedade que não quer financiar a imprensa livre para economizar na internet é ter os veículos de comunicação financiados por interesses ilegítimos.
Olga Bongiovanni - Apresentadora
Nesses 15 anos alguém já tentou colocar coleira enforcadoura no Pitoco?
Houve e há várias aproximações principalmente do mundo político para atenuar os latidos. Isso é normal. Não destrato ninguém que me procura para aproximações ou para cessar hostilidades. Não sou o dono da opinião pública e nem me considero mais influente que os demais veículos de comunicação. Não vendo minha imagem como a do último dos incólumes do jornalismo e nem tenho a pretensão de intimidar ou coagir alguém. Nós, jornalistas, precisamos estar sempre nos policiando para não sermos arrogantes e prepotentes. A humildade, ao meu ver, é a rainha das virtudes. Porém, quem conhece meu trabalho sabe que não aceito alinhamento político. Estou desfiliado de partido e só participo do mundo das urnas como eleitor crítico e exigente.
Assis Gurgacz - Empresário
O formato atual será mantido? Não é o momento de ampliar o jornal?
Chegamos a pesquisar para “tirar o pulso” de nossos assinantes. A resposta majoritária para essa pergunta foi: “se alterar o formato descaracteriza o produto”. Assim sendo, manteremos a folhinha de sulfite com notícias na frente e no verso. Não que isso torne nosso serviço mais fácil. Acredito que escrever uma extensa ata é mais simples que resumir todas as informações essenciais em poucas linhas. Exercitar a capacidade de síntese é algo que nos desafia em todas as edições.
José Dirceu - Ex-ministro
Quais as principais mudanças que o Pitoco acompanhou, viveu e viu no Brasil nos seus 15 anos de vida? E o que ele quer para nosso País nos próximos 15?
Vi nosso país sair da idade das pedras para algo próximo da idade medieval. Há muito para avançar, ainda. Vou pedir para os próximos 15 anos um esforço educacional de toda a sociedade e um mergulho da população na luz das letras visando libertar-nos do mais cruel de todos os grilhões, a ignorância. Que as pessoas se lapidem para algo além da educação formal. E possam exercitar a tolerância com o pensamento diverso e não se omitam diante do novo papel que nosso país vai exercer no tabuleiro mundial.
Evandro Roman - Secretário de Esportes do Paraná
Qual foi a edição que lhe trouxe mais satisfação pessoal?
Eu poderia citar muitas, pois minha atividade preferida é escrever pitocos, porém prefiro acreditar que essa edição ainda está por vir...
Jorge Samek - Presidente da Itaipu
Inicialmente, parabéns pela forma ágil e inteligente de informar. O que mais te agrada e o que mais te angustia no exercício de sua profissão?
Me agrada interagir com milhares de pessoas e encontrar ângulos inusitados para notícias que parecem banais. Me agrada ter o texto que produzi lido por alguém. É a realização de todo escritor: ter sua obra consumida por ávidos leitores. Me angustia, e muito, o grau de exigência que autoimponho. Nunca estou contente com meu trabalho. Leio e releio a edição várias vezes e sempre concluo que poderia ter feito algo melhor.
Hermes Parcianello - Deputado Federal
No espectro político cascavelense, o alinhamento editorial do Pitoco, inobstante visíveis esforços de manter-se corretamente em campo neutro, está ao lado do PIB ou das massas?
Ótima pergunta. Gostaria de dizer poeticamente aquilo que o Almir Satter já cantarolou, sobre o sabor das massas e das maçãs... Porém, hoje sou um descrente da tese da qual já partilhei, aquela da luta de classes. Penso que se o Eike Batista ficar alguns bilhões mais rico, ele poderá abrir oportunidades para os pés-descalços e descamisados citados pelo Collor de Melo. Objetivamente: não pretendo bajular o PIB, pois os caras ricos da política não precisam de meus elogios. Na outra ponta, não cultivo a pretensão de – com um panfleto noticioso - resgatar o povão de suas carências.
Dilvo Grolli - Presidente da Coopavel
O Pitoco já nasceu com uma linha editorial clara e objetiva, contribuindo para com o público executivo, que precisa ser informar mas não tem tempo para ler extensas reportagens. Pretende continuar nessa linha de informar à sociedade por meio de notas curtas?
Nosso desafio de cada edição é falar muito com poucas letras. E na medida do possível, navegar para além da superficialidade. Sem querer, acabamos acertando no formato. Nunca na trajetória humana tantos receberam tantas informações por tão múltiplos meios. O desafio do jornalista hoje é ser direto, claro e conciso. Vamos permanecer nesta toada...
Gilberto Martignoni - Empresário
De onde sai tanta notícia? Quem são e onde estão suas fontes?
Fonte é preciso cultivar todos os dias. E é preciso conquistar a confiança destas pessoas. Ajuda nesta questão o fato de eu ser nascido em Cascavel e conhecer muito bem as figurinhas da cidade. Afora isso é preciso desenvolver um olhar para os fatos, invocar o faro jornalístico para encontrar aquilo que está apenas insinuado; as vezes, nem isso...
Gleisi Hoffmann - Ministra-chefe da Casa Civil
A linguagem é um fator determinante para aproximar o leitor à notícia. O Pitoco já nasceu com essa percepção?
Acredito que o fator de aproximação está mais no formato que lembra um gibi, instrumento que iniciou minha geração no hábito da leitura. A linguagem é sim determinante, porém, entre escrever o coloquial para todo mundo entender e utilizar o rico vernáculo do nosso idioma, muitas vezes preferi a segunda opção. Há o risco de elitizar um pouco, restringir o entendimento pleno, porém é preferível nivelar por cima para atuar também de forma educativa.
Edson Campagnolo - Presidente da Fiep
Como você avalia o desenvolvimento industrial da região Oeste?
Promissor, porém tardio. O Paraná precisa rever sua política de fomento à industrialização. A concentração das políticas para o setor na região metropolitana é ruim até para a capital, já que estimula o êxodo do interior e o inchaço urbano. Embora hajam relevantes razões logísticas para o investidor preferir a região de Curitiba, políticas públicas podem promover uma melhor distribuição geográfica das oportunidades.
Luciano Hang - Empresário
Até onde vai o Pitoco?
Geograficamente não há limites. Se houver alguém disposto a ler o jornal no planeta Marte e lá houver uma plataforma para receber uma assinatura eletrônica, eu envio. Se depender de minha disposição, vou escrever o jornal duas vezes por semana até os 97 anos de idade. Após essa idade vou reduzir a periodicidade para uma vez por semana; afinal, ninguém é de ferro e precisarei dar uma atenção para meus bisnetos...












