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FUTEBOL

Futebol também é arte e cultura

Publicado em: 27/11/2020


FC Cascavel lançou sementes aurinegras na terra vermelha do Oeste

Olha gente, o folclorista brasileiro Ariano Suassuna resumiu o que é necessário para definir a arte, que está no olhar daquele que vê, ou no coração daquele que sente, para além, muito além do fato em si mesmo, do acontecimento em si mesmo, da memória, da história, do local. Ultrapassa a emoção estética, explicitada ou guardada.  O futebol, então, é arte. Também. Pois ele subentende expectativa e encantamento – as duas características para definir a arte, segundo o mestre Ariano. Para o escritor português Eduardo Prado Coelho: "É possível ver o futebol tanto como uma coreografia como algo ligado à celebração da inteligência do movimento". Por trás do rolar de uma bola em um gramado, algo simples e que mobiliza bilhões de pessoas ao redor do planeta, temos, sim, um instrumento de identidade cultural muito forte. 

O escritor e poeta maranhense Ferreira Gullar já afirmava, nos anos 50 do século passado, que a arte surge do momento, do espanto. Assim também é no futebol: no gol, no drible, na bola na trave, no lance maravilhoso. Na campanha/trajetória que encanta/encantou, na vitória que registra um belo momento para a história. O momento especial que ocorre no futebol é algo artístico, poético. É arte. “Arte” vem do termo latino ars, que significa técnica ou habilidade – atividade humana ligada às manifestações estéticas ou comunicativas, através de uma variedade enorme de linguagens, como: arquitetura, artes visuais, dança, desenho, escultura, literatura, pintura, música e teatro. 

A cultura do futebol engloba não apenas o jogo propriamente, mas tudo o que o relaciona com a sociedade a qual se refere. Valores estéticos como beleza, harmonia e equilíbrio são expressados, também, pela arte do futebol. A arte se faz pelos artistas e pelas pessoas que a apreciam. Expansão do conhecimento, ampliação do entendimento do ser e estar no mundo físico, emocional, social e mesmo espiritual. Há pessoas que têm o futebol até como uma religião. 

A difícil união da racionalidade com a emoção: o esporte em geral ajuda a encontrar um ponto de encontro – e aí se localiza o futebol, esporte das multidões, de praticantes e expectadores. Dito tudo isso, a Editora/Revista Aldeia coloca o futebol como instrumento sociológico de comunhão e encontro da comunidade cascavelense e do Oeste do Paraná na jornada do FC Cascavel, neste ano de sonhos interrompidos pela pandemia da Covid-19. Vamos para a última rodada da fase classificatória.

A expectativa foi criada, o encantamento é esperado, com a vitória neste sábado contra a Cabofriense, ou mesmo com a combinação do resultado do jogo entre Toledo e Portuguesa  carioca. Será um detalhe final se passarmos ou não para a fase do mata-mata; a caminhada elogiável ficará registrada tanto no racional quanto no emocional. O FC Cascavel fez arte do futebol e criou a cultura do encontro, a partir do Estádio Olímpico Regional, da comunidade consigo mesma. Sementes aurinegras foram lançadas, tivemos o encantamento da Serpente na terra vermelha. Vamos em frente, com determinação, fazendo história. Fazendo arte e cultura, fortalecendo a identidade da nossa terra,  da nossa Cascavel. 
 

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1 COMENTÁRIO(S)

Comentário ler muitas vezes. Só Dr. Márcio Couto seria capaz de unir pensamentos dos imortais poetas brasileiros Ariano Suassuna e Ferreira Gullar sobre o esporte bretão, especialmente a trajetória do FCC. Que no sábado possamos a notícia da habilitação a nova fase rápida do mata/mata.
comentado por Sebastião Dias em 27/11/2020
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