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BRASILEIRÃO

O Tigre mostrou suas garras: 3x0 contra o FC

Publicado em: 14/12/2020


A Serpente Aurinegra do Oeste paranaense não conseguiu resistir ao Tigre Aurinegro no Norte paulista, mas  encerra a boa temporada de 2020

 
Olha gente, o FC Cascavel se despediu da Série D do Brasileirão no sábado passado. A Serpente Aurinegra do Oeste paranaense não conseguiu resistir ao Tigre Aurinegro no Norte paulista. O primeiro tempo começou com o FC Cascavel mostrando personalidade e pressionando o time da casa. Foram perdidas pelo menos duas boas oportunidades de gol, a melhor delas com Itaperuna, que se tivesse marcado talvez tivéssemos uma outra história. Não marcou e a partida prosseguiu com equilíbrio até a marcação do primeiro gol do Novo Horizontino, aos 21 minutos, de pênalti. Foi uma escapada do ataque, depois que Paulo Baya não conseguiu alcançar um lançamento do nosso meio de campo.

O zagueiro do FC Cascavel poderia apenas fazer a cobertura, mas não teve a tranquilidade suficiente e fez a falta dentro da grande área – uma demonstração do nervosismo que atingiu toda a equipe, o tempo todo. Edson Pereira bateu no lado direito do bom arqueiro Raul. A partir daí, com o domínio completo do meio de campo, o Novo Horizontino perdeu de marcar em pelo menos três oportunidades, colocando inclusive uma bola na trave do time paranaense. As investidas eram em geral pelo lado direito do ataque, com relativa facilidade.

A esperança da torcida aurinegra ficou com as possíveis trocas de jogadores, através do técnico Marcelo Caranhato, que perdeu a batalha do primeiro tempo. Mas logo aos 3 minutos, um banho de água fria nos torcedores cascavelenses: o centro-avante Guilherme entrou tranquilo, driblando, na entrada da grande área,  e fez um golaço, com a defesa sem proteção, tendo o NH perdido um gol minutos antes. O FC Cascavel voltou sem mudar a postura, com um meio de campo inexplicavelmente passivo, parecia estar cansado.

Aos 5 minutos, a partida já estava praticamente liquidada. Guilherme novamente, de fora da área, sem a marcação da zaga, preparou a bola com calma e bateu cruzado no canto direito. Complicou a situação para a Serpente Aurinegra, que não teve forças para se recuperar. Paulo Baya foi sempre muito bem marcado. Graças ao goleiro Raul, o placar não foi mais elástico. O ponto fraco do FC Cascavel, a defesa, ficou bem evidente nesta partida, apesar de ter jogado bem nas últimas duas jornadas.  Já nosso ataque enfrentou uma das melhores defesas da Série D do Brasileirão, com o goleiro Giovani realizando apenas uma defesa importante. A derrota foi técnica e tática. O NH irá enfrentar o Goiânia na próxima fase.

Porém, foi boa a campanha do FC Cascavel. Boa estrutura, boa gestão, a melhor colocação entre os times do interior do Paraná no campeonato estadual. Essa foi a primeira participação num certame nacional, e lições, com certeza, de aprendizado, foram e serão tiradas. Foram liberados, antes da competição nacional, os melhores jogadores que fizeram parte da equipe no campeonato paranaense, certamente para compensar a ausência da torcida no estádio, com a consequente falta de dinheiro. Em 2021, esperamos, não será necessária a desmontagem da equipe, em meio à temporada. Assim, chegamos onde chegamos. Olha, e fomos longe.  Ano que vem tem mais, é hora de voltar ao ninho e se preparar melhor para as competições do ano de 2021: Copa do Brasil, Paranaense e Série D. A cidade de Cascavel adotou o time, que certamente trará muitas alegrias para a torcida. Valeu, gente!
 
 
O FC Cascavel, entre a força apolínea e a criatividade dionisíaca – a montagem do time também poderá beber na fonte da filosofia; na fonte da obra do filósofo alemão Friedrich Nietzsche.

Em seu primeiro livro, O Nascimento da Tragédia, publicado em 1872, o filósofo atribuiu à arte (e o futebol também é arte!) um papel central na cultura humana. Estudando a antiguidade grega, ele afirmou que a criatividade e a beleza daquela civilização se deveram à sua capacidade de articular duas forças que em princípio são opostas. Denominou essas forças inspirado na mitologia grega. Chamou de apolíneo (relativo ao deus Apolo) o princípio que representa a razão como beleza harmoniosa e comedida, organizada.

E denominou dionisíaco (relativo ao deus Dionísio) o princípio que representa a embriaguez, o caos, a falta de medida, a paixão. Apolíneo e dionisíaco são conceitos fundamentais para o entendimento do pensamento do filósofo alemão, mas se encaixam no processo de formação de um time, uma equipe de futebol. Será necessário muito planejamento fora das quatro linhas, um planejamento apolíneo. Mas dentro das quatro linhas, haverá de ter festa, gols, jogadas improváveis – muita loucura dionisíaca.

Apolínea e dionisíaca: as forças opostas da criação artística, segundo o filósofo Nietzsche, também valem para o futebol.

Se nenhuma arte pode ser puramente apolínea (isto é, centrada na razão e na harmonia) nem puramente dionisíaca (isto é, centrada na desordem criativa e na embriaguez), e o futebol também é arte, é necessária a articulação desses dois princípios também no esporte bretão - uma vez que o dionisíaco nos dá o princípio criativo e o apolíneo nos dá a ordem e a harmonia necessárias para a produção de algo belo. A arte nos ajuda em nossa humanidade.

Apolo representa a beleza, a perfeição, a harmonia, o equilíbrio e a razão. Dionísio representa os ciclos vitais, o vinho, as festas, a loucura; a quebra das regras, a exuberância.

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