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Alcançar a humanidade é o topo da inteligência

Publicado em: 19/03/2019

Os gestores alpinistas da Vale, se fossem bons alpinistas, saberiam que os riscos objetivos não poderiam ser controlados, mas que seria possível, através de ações concretas, adotar medidas para eliminar os riscos subjetivos

Há um ditado judaico que diz que o topo da inteligência é alcançar a humanidade. As notícias do começo deste ano vêm infelizmente mostrando acontecimentos extremamente desagradáveis e bem distantes desta “humanidade”. Dois casos, embora com cenários e proporções diferentes, se cruzam: a tragédia da mineradora Vale em Brumadinho e a morte de dois alpinistas brasileiros na Patagônia Argentina. 

Vou falar aqui dos riscos do alpinismo. Existem dois riscos: os subjetivos, que são previsíveis e, por isso mesmo, evitáveis. Ou seja, podem ser neutralizados e controlados através de medidas preventivas como planejamento adequado, preparação física e conhecimento técnico, entre outros. E objetivos: não previsíveis e fora de controle, como chuva e ventania, por exemplo.

Os acidentes ocorrem por fatores objetivos e os subjetivos acontecem na maioria das vezes com os aventureiros. Este é um paralelo interessante e que deve ser levado em conta para entender as causas de mais uma tragédia que ceifou centenas de vidas humanas e causou grandes prejuízos ao meio ambiente. 

Os gestores alpinistas da Vale se fossem bons alpinistas saberiam que os riscos objetivos não poderiam ser controlados, mas que seria possível, através de ações concretas, adotar medidas para eliminar os riscos subjetivos que, ao que tudo indica, foram a causa de mais esta tragédia. A vaidade falou mais alto do que a humildade e a ganância prevaleceu. 

Que a impunidade não impere e que ocorram punições dos responsáveis onde os alpinistas aventureiros tenham seus patrimônios e liberdades cessados, pois são criminosos na busca pelo Ebitda (geração operacional de caixa, sem os efeitos de impostos e taxas), EVA (Economic Value Added) e o retorno aos acionistas. Caso isto não ocorra, convém citar o poema de Carlos Drumond de Andrade, de 1984: O rio? É Doce. A Vale? Amarga. Ai, antes fosse. Mais leve a carga. Entre estatais.  E multinacionais, quantos ais! A dívida interna. A dívida externa. A dívida eterna. Quantas toneladas exportamos de ferro? Quantas lágrimas disfarçamos sem berro? 

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