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Será possível confiar na maioria das pessoas?

Publicado em: 18/03/2020

Apenas 6,5% dos pesquisados responderam que sim. Escrever sobre confiança me traz em mente a parábola do sapo e o escorpião

“Nenhum homem consegue, por um período considerável de tempo, mostrar uma face para si mesmo e outra para a massa, sem, por fim, ficar desnorteado e não saber qual é a sua verdadeira face”. Vivemos dias de inegável progresso, opulência e desenvolvimento tecnológico jamais experimentados pela humanidade em toda a sua história.  Por outro lado, vivemos dias extremamente confusos, inseguros, incertos e tomados por um profundo sentimento de cinismo, descrença, insegurança e desconfiança nas pessoas e nas instituições. 

Há algum tempo foi realizada uma pesquisa no Brasil para avaliar o nível de confiança entre os brasileiros. Será possível confiar na maioria das pessoas? Apenas 6,5% dos pesquisados responderam que sim. Escrever sobre confiança me traz em mente a parábola do sapo e o escorpião. 

Um escorpião aproximou-se de um sapo que se preparava para nadar de um lado do rio para o outro e pediu-lhe para que ele o ajudasse a fazer a longa travessia, carregando-o sobre as suas costas. O sapo respondeu: “Poderia carregá-lo sobre as minhas costas apenas se eu fosse um louco. Durante o percurso você vai me ferroar e, fatalmente, eu desmaiarei e ambos morreremos afogados”. O escorpião, então, lhe disse: “Essa seria uma atitude fatal para ambos, eu e você morreríamos afogados. Portanto, jamais agiria dessa maneira com alguém que fez o bem”.

O sapo, convencido das boas intenções do escorpião, consentiu em carregá-lo em suas costas de maneira generosa até a outra margem do rio. Quando ambos se aproximavam do destino de chegada, o escorpião cravou seu ferrão no sapo de maneira impiedosa e cruel. O sapo atingido pelo ferrão cheio de veneno mortífero, e agora agonizando, pergunta ao escorpião por que ele agiu de maneira tão cruel e vil.

O escorpião respondeu com grande naturalidade e como se tivesse praticado uma boa ação: “Não sabes por acaso que sou um escorpião e que essa é a minha natureza?”. Não é a sociedade que torna o homem mau como pregavam os filósofos racionalistas franceses, mas é o homem que corrompe a sociedade.

 

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