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O vírus do mimimi

Publicado em: 16/07/2020

O vírus mais comum ao longo dos anos é o vírus do mimimi, da reclamação, do coitadismo. É nosso dever não exigir tratamento digno se nosso comportamento moral não for digno

Bem cedo, um dia destes no meio do caminho até o escritório. Minha mente estava ainda no processo do despertar, buscando as coisas por fazer, dos resultados que gostaria de atingir no dia. Também estava com dúvidas pertinentes no meu negócio, em meio à pandemia, não só do conflito do medo, mas das incertezas dos caminhos à frente.

Na direção, fui obrigado a parar o carro por um semáforo fechado. Rádio desligado, apenas concentrado no momento, na atenção do dirigir e meus objetivos. Quando, ao olhar em meu entorno, percebo um homem, com idade muito próxima a minha, fisicamente saudável, pés e braços com toda mobilidade, despertando-me atenção.

Com autoestima nas alturas, fazia seu trabalho focado. Antes das 7h30 da manhã, conectado no celular, com fones de ouvido, dançava enquanto trabalhava, demonstrando força e felicidade para enfrentar os desafios do dia. Lembrei-me, então, de uma frase de um livro em que cita o vírus mais comum ao longo dos anos:  o vírus do mimimi, da reclamação, do coitadismo. É nosso dever não exigir tratamento digno se nosso comportamento moral não for digno. 

Meus nobres leitores, a vocação é a articulação entre o chamado e as circunstâncias da vida. E a circunstância daquela manhã foi uma aula. Obrigado, senhor não mais desconhecido, catador de papel, que dançava e arrumava seu material de trabalho com uma força, uma vida com propósito. Espero que tenha feito sentido para você como fez para mim. 
 

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