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O futebol e o Direito do Trabalho

Publicado em: 10/07/2018

Embora a mídia dê destaque para uma dezena de superestrelas, é lastimável a realidade da imensa maioria dos 25 mil jogadores profissionais de futebol em atividade no Brasil, distribuídos em mais de 700 clubes

 

Em época de Copa do Mundo as atenções se voltam para o futebol, momento oportuno para discorrermos sobre os direitos trabalhistas do jogador profissional de futebol. O atleta é empregado do clube, mas não um empregado comum, pois embora tenha os mesmos direitos dos demais trabalhadores (férias, 13º salário, FGTS e outros), sujeita-se a rigoroso controle de sua vida, inclusive particular, já que o clube determina desde sua dieta alimentar até os locais e horários onde ele pode ir e as festas que pode frequentar.


A rotina de um jogador da Série A do Campeonato Brasileiro é severa, pois no início do ano ele fica fechado durante duas semanas em um hotel, treinando todos os dias, sem poder sair nem receber visitas. Depois dessa pré-temporada, e ao longo de todo o ano, sua vida resume-se a treinar, viajar e jogar. Pela lei, ele é obrigado a ficar fechado em regime de concentração até 3 dias por semana, geralmente joga em outros 2 dias; 1 dia é para viajar, e sobra apenas 1 dia de folga, que muitas vezes é reduzido para uma manhã ou uma tarde na semana.


A concentração é feita num hotel, de onde o atleta só sai para o treino, após o que retorna para seu quarto. O clube, inclusive, coloca seguranças para impedir a entrada de outras pessoas e, principalmente, a saída do jogador do local. Tem horário rígido para levantar, tomar café, almoçar, lanchar, jantar, treinar e ir dormir, e qualquer atraso do atleta, por mínimo que seja, é punido com multas, que são descontadas de seu salário. 


Um quartel militar seria um parque de diversões para o jogador de futebol, e ele só pode ir trabalhar em outro clube se este consentir ou se for paga pesada multa rescisória. Inclusive, o jogador profissional é o único trabalhador que ainda é "vendido". Além disso, o futebol é uma das profissões com maior número de acidentes do trabalho e, frequentemente, o atleta fica semanas e até meses machucado, fazendo tratamento médico.


Embora a mídia dê destaque para uma dezena de superestrelas, é lastimável a realidade da imensa maioria dos 25 mil jogadores profissionais de futebol em atividade no Brasil (distribuídos em mais de 700 clubes), pois 20 mil deles (80% do total) têm salário de até mil reais, e menos de 1.000 (4%) recebem salário acima de 10 mil reais, dos quais somente 150 (menos de 1%) com salário superior a 100 mil reais.


Portanto, embora seja uma profissão regulamentada por lei, o jogador de futebol é um trabalhador submetido a rígido regime disciplinar, que não é dono de seu tempo e sequer de seu corpo, sendo quase um escravo moderno.

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