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Dinheiro dá em árvore?

Publicado em: 21/12/2018

Precisamos mudar o mindset sobre a educação financeira de nossas crianças, ou continuaremos presenciando adolescentes que não sabem calcular nem juros simples.

“Mãe, me dá cinquentão?”.  “Filhooo, não tenho uma árvore de dinheiro!”. Ensinar nossas crianças a entender como o sistema financeiro funciona é tão importante quanto ensiná-las a ler e escrever, no entanto a maioria delas chega à adolescência na condição de analfabetos financeiros. Educação financeira não é uma questão de classe social, é uma questão de educação. 

Se seu filho de cinco anos tivesse que responder as questões abaixo, como você acha que ele se sairia?
1- O que você quer ganhar no Natal?
2 - Você quer muito ganhar o brinquedo que custa R$ 50, mas nós (ou o Papai Noel) temos apenas R$ 40. Quanto é que falta para que possamos comprar o brinquedo?  

Com certeza, a primeira pergunta seria respondida rapidamente e provavelmente a segunda ficaria sem resposta. Seja por preconceito ou por falta de reflexão de nós, pais, nossos filhos estão entrando na vida adulta sem noções básicas de economia e finanças. Quer lugar melhor para aprender economia do que dentro de casa? E para que você não tenha que explicar para seu(sua) filho(a) de 18 anos que árvores de dinheiro não existem, aí vão algumas práticas que podem ser realizadas em casa:

Noção de orçamento - administrar pequenas receitas e despesas. Negocie uma mesada em troca de tarefas que ele(a) consiga executar. Ensine-o(a) o que dá para comprar com essa quantidade de dinheiro.

Noção de poupança – o dinheiro da mesada não deu para comprar o item desejado? Ensine-o (a) a não gastar o dinheiro que já tem, até que junte o suficiente para fazer a compra.

Noção de dívida – complete para ele (a) o valor que falta para fazer uma compra, dizendo que irá descontar da próxima mesada. A sensação de não poder comprar nada na semana seguinte, com certeza, será lição valiosa. 

Noção de consumo consciente – sua filha quer a mini-boneca da moda. Chame-a para organizarem os brinquedos, convide-a a refletir sobre quantas bonecas ela já têm e se realmente precisa de mais uma. Se chegarem à conclusão que sim, façam uma “venda de garagem” com os brinquedos que ela não usa mais; além de arrecadar  dinheiro para a nova boneca, estarão trabalhando desapego e sustentabilidade.

É claro que essas práticas são para idades específicas e devem ser adaptadas conforme seu(sua) filho(a) cresce. Precisamos mudar o mindset sobre a educação financeira de nossas crianças, ou continuaremos presenciando adolescentes que não sabem calcular nem juros simples e, pior que isso, continuaremos contribuindo para que o processo de amadurecimento de nossos filhos seja doloroso. Imagina só, do nada, um dia você vai dormir e quando acorda o mundo exige que você saiba o que é  IRPF, IPTU, IPVA, CDB. 

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