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TDAH e TDA sem preconceito!

Publicado em: 19/03/2019

Muitas vezes pessoas com TDAH e TDA deixam de receber tratamento adequado ou até são excluídas em seus grupos de convivência em função do preconceito, ocasionando sérios prejuízos emocionais e acadêmicos

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), é um transtorno onde a criança apresenta diversos comportamentos característicos e prejudiciais, classificados dentro de dois subgrupos: 1) Desatenção; 2) Hiperatividade e impulsividade; sendo o segundo ausente no TDA. Esses são causados por disfunções nas vias dopaminérgica e noradrenérgica no cérebro, alterando o funcionamento do controle cognitivo comportamental, e seu diagnóstico requer que a criança apresente sintomas relacionados aos subgrupos citados acima.

Apesar do distúrbio ser conhecido e diagnosticado há muito tempo, ainda hoje  pais, professores, sociedade e até alguns profissionais de saúde manifestam preconceito em relação a esses distúrbios, desde duvidar da existência, até um certo bullying com quem sofre desses transtornos: “Que déficit de atenção nada, no meu tempo isso se chamava sem-vergonhice”, ou “inventam desculpa pra má educação, os pais não educam, aí passam pra psicóloga, psicopedagoga...”, ou “em vez de educar, dão remédio, lá em casa o remédio é umas boas palmadas!”. São falas frequentes dentro do contexto dessa patologia.

Fico muito triste e indignada quando ouço comentários assim, indignada pela estupidez de quem se recusa a aceitar a existência de um transtorno real e triste pelas pessoas que perdem a chance de ter uma vida melhor pela ignorância de indivíduos preconceituosos e desinformados. Assim, muitas vezes pessoas com TDAH e TDA deixam de receber tratamento adequado ou até são excluídas em seus grupos de convivência em função do preconceito, ocasionando sérios prejuízos emocionais e acadêmicos. Precisamos nos informar antes de julgar, antes de emitir uma opinião baseada no achismo, que prefiro chamar de ignorantismo.

É claro que existem casos de maus diagnósticos, de exagero ao usar a doença como “desculpa” para tudo ou até de abuso de medicamentos, mas esses casos não devem servir para julgar quem realmente sofre com a doença. Além disso, é muito importante esclarecer que os medicamentos usados não deixam crianças ou adultos mais inteligentes, eles apenas compensam as falhas químicas no cérebro desses indivíduos.

Perguntinha básica aqui, se temos miopia, o que é que devemos fazer? Resposta óbvia: devemos usar óculos ou lentes... Agora, já pensou se alguém respondesse: “Que sem-vergonhice usar óculos, no meu tempo a gente ia pra escola sem enxergar mesmo!”. Com menos julgamento, mais empatia e informação, certamente teremos um ambiente mais justo e acolhedor para crianças e famílias que sofrem com o transtorno. 

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