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Não tema o conflito

Não tenha medo de não ser amado 24h por dia! Conflitos são saudáveis e necessários. Ausência de estresse não é garantia de felicidade.

Publicado em: 17/05/2019

Como você define sua parentalidade? Você é um bom pai ou é um pai “bonzinho”? Gerenciar situações cotidianas, sem medo que nossos filhos nos odeiem, demanda clareza para entender que esse “odiar” é momentâneo, ponderação para ceder em algumas situações e uma tonelada de paciência.

Você já ouviu dizer que ninguém gosta de obter não como resposta? Da mesma maneira também não gostamos de proporcionar uma resposta negativa. E quando falamos sobre crianças, sabemos que esse não provavelmente desencadeará uma crise de choro ou no mínimo um momento estressante. Ter que lidar com birra é desgastante e uma criança contrariada instantaneamente descarrega sua “ira” naquele que proferiu o famigerado não.

Como é difícil lidar com carinhas lindas chorando ou dizendo: “Não gosto mais de você, mamãe“. Já o sim, é fácil, prazeroso e muitos pais preferem a paz instantânea do sim do que o caos educativo do não.

Uma das coisas mais valiosas que aprendi nessa vida é que a ausência de estresse não é garantia de felicidade. Na maioria das situações precisamos desorganizar para obtermos o resultado esperado. Ninguém cozinha sem sujar as panelas. Na maioria das situações nos privamos da paz momentânea para obter melhor resultado no final.

No relacionamento com nossos filhos não é diferente, temos medo de perder o amor deles, de negar suas solicitações e de impor regras. É muito difícil encarar carinhas lindas pedindo mais uma hora de parquinho, quando já até passou da hora de ir para casa. Sabemos que a negativa irá gerar conflito e a fim de evitar argumentação, por cansaço, acomodação ou por medo de “perder” o amor deles, mesmo que por alguns momentos, acabamos cedendo. Porém, jamais conseguiremos conduzir o desenvolvimento emocional saudável de uma criança satisfazendo todas as suas vontades. 

Sermos amados, desafiados e odiados faz parte da aventura chamada parentalidade. Argumentação e o conflito são necessários para construir uma relação de admiração e respeito, sentimentos que são base do amor. Dessa maneira, com regras e até possibilidades de exceções, as situações de estresse serão cada vez mais raras e menos intensas. 

Perder o medo do conflito, dominar a arte de conduzir os estresses constantes e diários que encontraremos ao educarmos uma criança não fará de você um pai bonzinho, mas, parafraseando o Dr. Winnicott, fará de você um pai suficientemente bom.

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