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Por que deixamos o Papai Noel levar os créditos?

Publicado em: 13/12/2019

Construímos essa tradição baseada em uma mentira que ao mesmo tempo nos “ajuda” por terceirizar a responsabilidade para o Papai Noel, mas por outro lado nos prejudica

Então é Natal! Época maravilhosa! Árvores decoradas, doces melodias natalinas, luzes coloridas e Papai Noel. Nem todas as famílias o celebram, mas para a maioria delas em nossa região é hora de pensar na ceia, na decoração e, claro, em contar para as crianças como o Papai Noel trabalha a noite toda para entregar os presentes, após julgar quais crianças foram boazinhas e merecem recebê-los. Muitas vezes até usamos o bom velhinho para chantageá-las: “Se não tirar boas notas, Papai Noel não traz presente”, “Se não se comportar, blá, blá, blá...”. 

Construímos essa tradição baseada em uma mentira que ao mesmo tempo nos “ajuda” por terceirizar a responsabilidade para o Papai Noel, mas por outro lado nos prejudica pois nos tira todos os créditos. Mas será que existe dano real em mentir para sustentar uma tradição? E os créditos por comprar os presentes não deveriam ficar com quem realmente trabalhou o ano todo para comprá-los? Após algumas leituras descobri que psicólogos e outros especialistas divergem sobre o assunto, entretanto a maioria acredita que mentir para dar suporte à construção de um mito não traz benefícios.

Profissionais que são a favor da ideia, além de ressaltar que mitos como o Papai Noel são importantes para funções executivas, como habilidades de atenção e estímulo da imaginação, afirmam que desse modo as famílias criam situações positivas para serem repetidas no futuro; isto é, ajudam a criar tradições transgeracionais com boas memórias de experiências sociais compartilhadas, fortalecendo assim os vínculos familiares. 

Sob outra perspectiva, os especialistas que são contra afirmam que é uma má prática mentir para crianças e que poderíamos muito bem ter o Papai Noel e estimular a imaginação e vínculos familiares. Porém, as crianças deveriam saber que o Papai Noel foi baseado em uma figura histórica que pode ou não ter feito as coisas que achamos que ele fez, ou seja, que o bom velhinho é apenas baseado em fatos reais. Dessa maneira os pouparíamos da frustração de descobrir que Papai Noel não existe e que papai e mamãe mentiram.

Portanto, por mais que pesquisas sugiram que nossos filhos são capazes de diferenciar fatos da ficção já na primeira infância, devemos preservar a fantasia de maneira inteligente, mantendo a responsabilidade de julgar o que é certo ou errado para nós pais, bem como a gratidão daqueles olhinhos brilhando por receber o presente tão esperado.
    
 

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