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Coronavírus, novos e velhos aprendizados

Publicado em: 18/04/2020

Será que aprendemos? Acredito que ainda não, mas penso que a gente está mais do que nunca no caminho e enquanto esses aprendizados todos não se concretizam, vale a reflexão 

Viver na era do coronavírus é sem dúvida surreal; usei a palavra “era” porque causou tantas consequências e nos marcou tanto que parece um período de tempo muito maior do que verdadeiramente é ou será. Sabe quando falamos sobre temperatura e sensação térmica? Então, é isso: temperatura de 13 °C e sensação térmica de 5 °C. E, justamente por essa marca que imprimiu na humanidade, esse é um período, além de importante, muito educativo. Aprendemos e aprenderemos muito ainda em decorrência da pandemia. 

Simples ações que normalmente poderíamos fazer nos são cerceadas e todos nós tivemos que nos acostumar com restrições inimagináveis. Até aprendemos muitas palavras e expressões novas. Palavras e termos como: distanciamento social, home office, auto-quarentena e Covid-19 passaram a fazer parte de nosso dia a dia, algo que nem sequer se poderia imaginar alguns meses atrás. Mas acredito que o maior aprendizado vem de algumas palavras e expressões bem antiguinhas e bem conhecidas de todos nós, as quais sempre foram ditas e repetidas “da boca pra fora”, mas nunca postas em prática por acomodação e falta de esforço coletivo.

Aprendemos dolorosamente a refletir sobre a surrada afirmação: -Precisamos investir em pesquisa e saúde. É claro que o mundo não poderia prever o que aconteceu, não estávamos preparados, porém a necessidade de valorizarmos mais os investimentos em pesquisa e em nosso sistema de saúde ficou bastante evidente. 

Aprendemos a refletir também sobre o valor das escolas e dos profissionais de educação, com nossos filhos em casa por vários dias e sem férias, ficou bem claro o quanto o professor merece uma boa remuneração.

Aprendemos a apreciar e dar valor à liberdade de ir e vir, à convivência familiar, à rotina, ao trabalho e tantas outras coisas simples que nos foram negadas nesse período. 
Aprendemos que somos parte de um todo, que somos globais, que nossas ações afetam a vida do outro e o quanto as ações do outro afetam nossas vidas.
Aprendemos o quanto é importante cooperar, coexistir bem, respeitar a opinião do outro e lutar por equidade social.

Será que aprendemos? Acredito que ainda não, mas penso que a gente está mais do que nunca no caminho, e enquanto esses aprendizados todos não se concretizam, vale a reflexão de sairmos da inércia, de pararmos de repetir frases feitas como se tivéssemos feito algo para que elas acontecessem, vale a reflexão de tomarmos um pouco da responsabilidade para cada um de nós.





 

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