Colunas

Convivendo com o gênio

Publicado em: 21/05/2020

Não tem mais como colocar o gênio de volta na garrafa, precisamos aprender a conviver com ele. A melhor atitude a ser tomada nesse momento é focarmos em nossa capacidade de resiliência e adaptabilidade

As novas crises que a pandemia nos impõe a cada novo dia me remeteram ao conceito filosófico de Devir (do latim devenire, chegar), o qual simboliza as mudanças pelas quais passam as coisas. Esse conceito de "se tornar" criado pelo filósofo grego Heráclito no século VI a.C., autor da famosa citação "nenhum homem jamais entra no mesmo rio duas vezes"; que também preconizou que nada neste mundo é permanente, salvo a mudança e a transformação. 

O coronavírus obrigou governos, instituições, escolas, empresários, pesquisadores, médicos, pais, alunos, enfim, o mundo, a mudar, refletir de maneira crítica, resolver problemas, trazer soluções, comunicar e cooperar de forma diferente, nos forçando a trilhar caminhos com os quais de certa maneira já tínhamos alguma familiaridade, mas que por falta de tempo, por razões financeiras ou por comodidade nunca tivemos o “luxo” de parar para experimentar. 

Sim, o que vivemos é triste, caótico e incerto, mas “não tem mais como colocar o gênio de volta na garrafa”, por isso, a melhor atitude a ser tomada nesse momento é focarmos em nossa capacidade de resiliência e adaptabilidade porque agora mais do que nunca temos a certeza que jamais entraremos no mesmo rio, as águas não serão as mesmas, e nós próprios estaremos mudados.

A quarentena nos diz que não estamos de férias, mas ao mesmo tempo não queremos ligar a câmera para a aula ou reunião porque estamos experimentando o luxo de ficar de pijama em casa e sem pentear o cabelo, ainda assim o “devir” nos convida a mostrar nossa intimidade e aceitar a tecnologia que nos conecta com o mundo e expõe nossas limitações e uma parte de nossa intimidade. 

Guardadas as proporções da dolorosa perda de vidas e grandes perdas econômicas, não podemos negar que a pandemia está nos “presenteando” com imensos insights sobre o quanto precisamos rever a capacidade de desenvolvimento e aprendizagem humana, deixando explícita a fragilidade dos sistemas globais de saúde e economia, principalmente porque sabemos que para alguns o drama da crise é cancelar viagens, reduzir gastos, vender um dos carros, no entanto para muitos outros o drama é perder o emprego, não ter como pagar o aluguel ou como comprar comida.

Quando a tempestade da pandemia passar, poderemos ser revolucionados por essa experiência ou poderemos nos acomodar e voltar para a trilha dos caminhos já conhecidos. Porém, a grande certeza é que o mundo como conhecemos, o mundo em que evoluímos e fizemos evoluir, para o bem ou para o mal, para as maravilhas da tecnologia ou para novos vírus que virão, exigirá ainda mais de todos nós.

 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Importante: Comentários com conteúdo sensível, impróprio ou que for considerado inadequado – por qualquer motivo, a critério do moderador – serão sumariamente deletados.

Deixe seu comentário.
×

Assine Aldeia

Por apenas R$ 9,90* / mês.

Deixe seu telefone, nós ligamos para você.
Venha fazer parte da nossa tribo!