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Filtros bolha, alfabetização digital e polarização

Publicado em: 16/10/2020

Um dos grandes problemas com os filtros é nossa tendência humana de pensar que o que vemos é tudo o que existe, sem perceber que o que vemos está sendo filtrado


O termo “filtro bolha” foi cunhado por Eli Pariser em 2011 e refere-se aos resultados dos algoritmos que ditam o conteúdo que chega até nós pela “web”. Estes algoritmos criam um ambiente exclusivo de informações para cada usuário, alterando completamente a maneira com que as informações nos alcançam. São seleções de conteúdos personalizadas, baseadas no histórico de navegação, idade, sexo, localização e outros dados do usuário. 

A ideia é que o conteúdo seja o mais relevante possível para o usuário, levando somente informação que é de seu interesse. Já o resultado é... Um pouco diferente. Como o algoritmo seleciona tópicos de maior interesse para o usuário, isso inclui artigos e postagens que apoiam a opinião do mesmo, criando uma bolha simpática, com a intenção principal de nos manter o máximo de tempo conectados.   

Isso pode não parecer tão ruim, quando os conteúdos, assuntos pelos quais nos interessamos “aparecem” em nossa timelime economizando tempo de pesquisa e de certa forma dando suporte a maneira como pensamos. Porém, esses filtros bolha também são responsáveis por criar as chamadas câmaras de eco, que nos fazem ter a impressão de que todos pensam como nós, formando uma espécie de bolha coletiva, onde os membros experienciam e reproduzem as mesmas ideias, criando uma visão excludente do mundo, onde muitas vezes nem é cogitada a existência de outras perspectivas.

 É relevante dizer que a internet enfatizou o fenômeno  dos filtros bolha e câmaras de eco, no entanto estes transcendem web. Nosso círculo social, nosso bairro e nosso trabalho também podem criar os mesmos efeitos, dependendo, é claro, de como você vive e interage dentro deles. 

Um dos grandes problemas com os filtros é nossa tendência humana de pensar que o que vemos é tudo o que existe, sem perceber que o que vemos está sendo filtrado. E é aqui que entra a alfabetização digital crítica, precisamos entender, saber um pouco mais sobre como os sites de busca e as redes sociais funcionam, para não sermos influenciados por elas, para usarmos esses maravilhosos recursos a nosso favor e não contra nós.

Com a iminência das eleições, essa conscientização digital é ainda mais urgente, pois emergem agora com mais força a polarização de grupos. As câmeras de eco criadas por discussões políticas na web, limitam drasticamente o caráter democrático da internet, pois o combo eleições, filtros sociais, algoritmos e preferências pessoais levanta muros para acesso às fontes dialéticas de informação.
A boa notícia, é que é possível estourar nossas bolhas, isso implica atitudes simples como, usar extensões de navegador que bloqueiam anúncios, até atitudes mais cognitivamente sofisticadas, como procurar ler sites de notícias e blogs que visam fornecer diversidade de pontos de vista. 
 

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