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Globalização, Cultura e Hábitos de Consumo

Publicado em: 18/11/2020

Analisando nossos hábitos de consumo pela perspectiva dos processos de globalização, chegamos a uma conexão direta com a mídia, já que ela está relacionada ao resultado econômico da globalização

Globalização é um termo difícil de definir, já que ela é, principalmente, a inter-relação de tudo no mundo: pessoas, culturas, comunicação, epistemologias, geografias; ela se combina com diferentes áreas e afeta todos os aspectos de nossas vidas. De acordo com o sociólogo jamaicano Sturat Hall,  a  globalização altera a perspectiva de tempo e de espaço, “desaloja” o sistema social e estruturas por muito tempo dadas como fixas, proporcionando o aparecimento de uma “pluralização dos centros de exercício do poder”. 

Assim, a cultura global e a local interagem, ainda que não compartilhem o mesmo espaço físico, elas tendem a estar globalmente sob um mesmo ponto de vista. Considerando que neste cenário, várias culturas dialogam e se agrupam no mesmo “lugar”, estas acabam passando por um processo de uniformização, pela semelhança de estilos de vida e padrões de consumo, causando um empobrecimento cultural através da homogeneização de culturas. 

Analisando nossos hábitos de consumo pela perspectiva dos processos de globalização, chegamos a uma conexão direta com a mídia, já que ela está visceralmente relacionada ao resultado econômico da globalização. A mídia e/ou publicidade influencia os indivíduos a consumir e o que consumir, é um mecanismo de comunicação essencial entre marcas e sociedades. Ela analisa e difunde os comportamentos dos consumidores em prol principalmente da obtenção de lucro. 

A conclusão das análises realizadas pela mída constatou que a globalização, por oferecer os mesmos padrões de consumo, acaba não atingindo todos os públicos. E a partir disso, surge o conceito de glocalização, termo cunhado por Robertson em 1995 como a "interpenetração do particular e do universal", que neste contexto é uma estratégia de marcas globais para se comunicar ou se conectar a diferentes tipos de pessoas com características culturais diferentes. Como por exemplo a estratégia do Mc Donald’s, que não vende hambúrgueres de carne bovina na Índia. 

Nessa dimensão, a glocalização funciona como um “amenizador” cultural em prol da globalização e a serviço do processo de manipulação do consumo. Considerando que a cultura se reflete no estilo de consumo dos indivíduos, o consumo é um elemento cultural altamente suscetível aos efeitos da mídia através de propagandas. Podemos dizer então, que os hábitos de consumo são forjados por marcas globais, já que atuamos muitas vezes como “outdoors” ambulantes e gratuitos para tais marcas, quando de boa vontade, vestimos uma camiseta com a marca “Coca-Cola” bem grande estampada. 

Fica evidente então:
1-    A propaganda exerce papel manipulador a serviço da elaboração de uma cultura homogênea através de produtos padronizados; 
2-    2- A globalização que nos propicia a interação com indivíduos de diferentes culturas, geografias e línguas é também a fonte geradora de mudanças importantes em nossa vida, interferindo na cultura local e impactando fortemente nos hábitos de consumo. 

Entendo que a cultura global não apaga completamente a cultura local, mas propõe um híbrido que tende a transformá-la negativamente. A intenção aqui não é demonizar a globalização, mídia ou glocalização, é simplesmente chamar a atenção para os efeitos que elas produzem, para  as manipulações da mídia e para o exercício do consumo consciente. 




 

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