Colunas

São os jovens que adoecem

Publicado em: 20/09/2018

Peço licença ao querido Renato Russo para parafraseá-lo e concordar que há tempos nossos jovens adoecem emocionalmente. E um dos fatores que contribuem muito para esse “adoecimento” é que, como pais, estamos falhando na tarefa de educar jovens emocionalmente fortes, de preparará-los para o mundo. Querendo tanto acertar, acabamos pecando pelo excesso de proteção, temendo que nossos filhos se frustrem.

- Prof, a Giovana chegou chorando porque você não deu a estrelinha para ela. Muito chateada, me cobrava ao telefone a mãe de uma de minhas alunas de 8 anos.

- Lurdes, a estrelinha não foi dada porque as condições para conquistá-la eram comportar-se na aula e fazer as tarefas propostas, e a Giovana não as cumpriu.

- Não concordo, eu acho que se você dá estrelinha para um, tem que dar para todos.

A conversa seguiu por algum tempo até que a mãe entendeu que havia uma regra e o fato de eu não ter “dado” a estrelinha era uma estratégia educativa. Ao longo de nossas vidas sofremos muitas frustrações. 

Nós, pais, sonhamos com o momento de ver nossos filhos andando, os treinamos pegando nas mãozinhas, colocando os seus pezinhos em cima dos nossos, até criarmos coragem para deixá-los tentar sozinhos; e apesar da angústia de vê-los cair repetidamente, deixamos que sigam em frente. 

Até que um dia estendemos os braços, olhamos sorrindo para o bebê, ele levanta e desajeitadamente vem ao nosso encontro sem cair. Sucesso! Uma semana depois, essa criança já está tão segura que sobe na cadeira da cozinha e dali sobe na mesa e cai, e se machuca e chora. Pai e mãe correm a acudir, pegam a criança no colo e batem na mesa dizendo: “Mesa feia, feia, derrubou a Giovana”, quando deveriam abraçar a criança e dizer: “Filha, não pode subir na mesa, você cai e se machuca”.  

Quando a mãe da Giovana me ligou, era essa a mensagem que ela continuava passando: “Prof. feia, feia, não deu estrelinha para meu bebê”. O problema é que essas frases acabam evoluindo para: “Olha só a nota que a idiota da professora me deu!”, ou: “Olha só a multa que esses FDP me deram, eu só estava sem cinto!”.
 
Precisamos entender que a superproteção impede que as crianças experienciem frustrações, e a consequência disso é a dificuldade ou a incapacidade de lidar com situações difíceis que se colocam diante delas. Educar, entre outras coisas, é ser os braços fortes que cuidam e treinam a criança para suportar e superar as frustrações da vida. Meu amor, disciplina é liberdade. É a liberdade de cair até conseguir andar com as próprias pernas, é passar por um momento difícil e conseguir superará-lo sem adoecer.

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