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Seus heróis morreram de overdose?

Publicado em: 22/10/2018

E os heróis de seus filhos, você sabe quem são? Precisamos ensinar a nossos filhos que ser alguém não é um conto de fadas que vai acontecer magicamente e sem esforço, sem estudar ou sem se dedicar.


Desde os tempos da monarquia, demonstramos uma incoerente disposição a idolatrar pessoas pelo simples fato de serem poderosas e ou famosas, de celebridades Big Brother até Lindsay Lohan, essa idolatria irracional é o pilar principal que sustenta a bizarra indústria de celebridades. Por que raios queremos saber o que come no jantar uma celebridade que faz dietas e cirurgias insalubres em nome da aparência, que é viciada em cocaína, que maltrata seus subordinados, que sonega impostos ou que mata inocentes por embriaguez no volante? Seja pela falsa impressão de aprender com quem está no topo, seja pela sensação de realização através da fama do outro, por uma função catártica ou simplesmente para nos incluirmos socialmente, está mais que na hora de mudarmos esse exemplo absurdo que passamos para nossos filhos.

“Olha prof, minha sandália da cantora tal”, “Não quero mais estudar, quando eu crescer, vou ser jogador de futebol e fulano de tal nunca fez faculdade”, “Minha mãe comprou um carro igual ao da novela tal”. Essas são algumas das pérolas que nós educadores ouvimos e que comprovam as referências que estão sendo passadas para muitas de nossas crianças. 

Ao admirarmos alguém, temos a tendência de imitar seu comportamento, principalmente quando crianças. Por isso, se nossos filhos imitarem alguém, é melhor que imitem e valorizem pessoas honestas, que fazem o bem. Assim, quando perguntarem a eles “O que você quer ser quando crescer?”, teremos mais chances de ouvir: pesquisador, filósofo ou enfermeiro, do que “Kardashian”.

Ao invés de os estimularmos a admirarem um bom professor, um bom juiz, um bom policial ou a nós mesmos como bons pais e profissionais, nós os estimulamos a idolatrarem jogadores de futebol, atores, cantores, modelos fotográficos. Nada contra nenhuma dessas profissões, todas têm importantes funções sociais e muitas delas são bons exemplos; porém, a maioria desses “heróis/celebridades” não segue a máxima: “Com grande poder vem grande responsabilidade”. Grande parte, ao atingir fama e fortuna, não assume a responsabilidade de pessoa pública dando bons exemplos. 

Precisamos ensinar a nossos filhos que ser alguém não é um conto de fadas que vai acontecer magicamente e sem esforço, sem estudar ou sem se dedicar. Parece muito fácil ser modelo, atriz, jogador de futebol quando enxergamos só o lado glamouroso que a mídia nos mostra, quando não sabemos que esses profissionais precisam fazer dieta, acordar às 5h da manhã para filmagens de 12 horas, precisam estudar e decorar textos, lidar com assédio constante ou treinar muitas horas desde criança para que quando tenha uma chance de gol em 90’ de jogo, consiga aproveitá-la e fazer sucesso

Douramos tanto essa pílula de ser celebridade, que passamos uma ideia muito errada de que é mais digno de admiração quem obtém sucesso como cantor, atriz, DJ, youtuber, do que aqueles que obtém sucesso como dentista, cientista ou advogado. Com isso promovemos ainda mais a insana indústria de celebridades, a qual incentiva nossas crianças a acreditar que existe uma maneira para encurtar caminho ou que quem tem valor é quem tem visibilidade na mídia, não importa a que custo, mesmo que essas celebridades assemelhem-se muito mais a vilões do que a heróis. Nossos filhos, por falta de orientação, os idolatram.

Proponho, então, que nos esforcemos um pouco mais para trabalhar o pensamento crítico de nossos filhos. Como? Um bom começo é questionar por que admiram a tal celebridade, é fazê-los participar de nossas próprias histórias como profissionais, como pais e mães, é contar para eles histórias de heróis tangíveis, histórias de pessoas que são bons exemplos, de pessoas que fazem real diferença no mundo. 

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