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A criação e a educação dos filhos

Publicado em: 20/03/2017

O sentimento dos pais por um filho é complexo. Cada um interpreta, usufrui e sofre de forma diferente. Um filho pode ser definido, de maneira bem humorada, como um pedacinho de nós, vinte e quatro horas por dia correndo perigo, quase sempre fora do nosso controle. Por isso, a preocupação. Criar e educar um filho não é custo. É um investimento feito ao longo de muitos anos cujo resultado final é incerto.

Espera-se que eles sejam pessoas do bem e para o bem. Mas, também, que consigam ser capazes de obter os meios para se sustentar na vida adulta. Dar a um filho todas as condições necessárias não é fácil. Exige dedicação e renúncia. Porém, criá-lo, por mais difícil que seja, é menos angustiante que inseri-lo no mundo dos adultos. Na infância, seu mundo, suas necessidades e suas escolhas vêm dos pais.

Encontrar um lugar onde o filho se sinta realizado, feliz e auto-suficiente, fora do guarda- chuva dos pais, é  tarefa muito maior e mais dura que criá-lo e educá-lo. É verdade que esse lugar será encontrado com mais facilidade pelo filho se os pais conseguirem completar o seu processo de formação no seu primeiro terço de vida.

Esse lugar no mundo é complexo porque não envolve somente um local para trabalhar e garantir sua sobrevivência material, mas, sim, um lugar onde ele possa constituir uma família, um círculo de amizade e se estabelecer de forma plena como pessoa e como cidadão.

São inúmeros os exemplos de filhos de pais cujo trabalho de formação foi o mais esmerado possível. Mesmo assim, uma vez adultos e formados, encontraram uma série inimaginável de circunstâncias e adversidades com as quais eles não estavam preparados, e suas ações e reações diante desses acontecimentos fazem sofrer pais e filhos. Isso porque, por mais que os pais tenham feito, não é possível viver pelos filhos.

Sofrimentos e angústias farão parte de suas vidas e somente eles poderão enfrentá-las, pois este é um processo de amadurecimento que ocorre paralelo ao encontro do seu lugar no mundo.

É comum, ao longo da vida adulta, se questionar: será que consegui encontrar o meu lugar no mundo? A cada crise existencial essas dúvidas rondam o nosso interior. Infelizmente, só é possível saber como as coisas foram e jamais saber como elas seriam, caso escolhas diferentes tivessem sido feitas. Isso nos deixa sem resposta. De posse dessa consciência, talvez seja possível mitigar essa angústia comum a pais e filhos, tornando mais efetivo o investimento feito.

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