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O melhor assunto: o “nosso”

Deixar o nosso interlocutor completar o seu assunto também deve ser prazeroso. Ao interromper as outras pessoas, não ouvimos e nem somos ouvidos de modo justo.

A história é uma ciência cuja motivação principal é a narrativa de fatos documentados e de fatos reais da Humanidade. Por outro lado, a estória é a narrativa de fatos de ficção e imaginários. Quase tudo o que se fala numa conversa entre duas ou mais pessoas é história, da vida de uma ou mais pessoas.  Há, também, um pouco de estória. 
E há muito de outros assuntos nesses encontros que, na maioria das vezes, é casual. Ocorrem na saída da Igreja, no intervalo do trabalho, no supermercado, no posto de combustível, em eventos em comum, entre outros. Há o caso em que se convida a pessoa para vir à casa ou à empresa para uma visita.

Em quaisquer desses eventos, casuais ou com data e hora marcadas, a conversa fica sempre melhor quando uma das partes inicia a narrativa de uma História ou estória. Independentemente se é uma ou outra, raramente a deixamos concluí-la. Na primeira parada do nosso interlocutor para respirar, iniciamos a nossa narrativa. E posso lhes garantir: ela é sempre mais interessante, mais verdadeira e melhor que a da pessoa que sequer teve a chance de concluir sua narrativa.

Por que fazemos isso? Será que a maioria das pessoas é equivocada na arte de narrar um fato que subtraímos delas o direito de concluí-lo? Inclusive, deixamos transparecer ao outro a nossa pressa para que ele termine para que possamos iniciar a nossa narrativa. Ou é a nossa ansiedade que não nos deixa dar o tempo necessário para curtir as coisas com a emoção que elas pedem?

Agindo assim, não ouvimos com atenção o que o outro está dizendo. Não reconhecemos o valor da sua narrativa pois sequer fazemos uma única pergunta derivada do assunto. Deixamos no outro o sentimento de frustração porque quando termina, o mesmo já percebeu a nossa pressa para que tivesse terminado antes. 

Deixar o nosso interlocutor completar o seu assunto também deve ser prazeroso. Ao interromper as outras pessoas, não ouvimos e nem somos ouvidos de modo justo. E nenhum assunto, nem o nosso e nem o do nosso interlocutor acabam sendo interessantes, pois nenhum é de fato concluído. Pense nisso!
 

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