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Andressa Parizotto Ledur
Acadêmica de publicidade e propaganda, artista e apaixonada por comunicação
SÉRIE

Modern Family e a nova política argentina

Publicado em: 11/08/2021


“Fazemos coisas estranhas para as pessoas que amamos. Pode haver solavancos ao longo do caminho, mas nunca paramos de desejar o melhor para eles. Isso é o que o torna um trabalho tão difícil, mas o melhor trabalho do mundo” - Modern Family

Maternidade é trabalho, e é trabalho árduo. Criar e acompanhar o desenvolvimento de uma criança deveria ser considerado trabalho registrado. Com esta visão, em julho deste ano (2021), a Argentina anunciou que vai ampliar a cobertura da Previdência Social para 155 mil mulheres que hoje não têm renda previdenciária.

Essa medida veio como uma forma de reparação da desigualdade percebida no país, analisando como mulheres se dedicam aos cuidados maternos e recebem menos benefícios em relação aos homens. Mas onde Modern Family entra nisso? Claire, a união dos núcleos familiares da série, é um grande exemplo de como o trabalho materno pode ser exaustivo.

Mãe de três filhos (e de um marido), sua jornada de trabalho é de 24 horas, se assemelhando a vida de mães do mundo inteiro. Obviamente que o governo argentino não se baseou na série para instaurar a nova política.  A medida foi realizada com foco na compensação para que acumulem menos contribuições para a aposentadoria do que os homens.

"Serão contempladas as mulheres com 60 anos ou mais, que sejam mães e não tenham os 30 anos de contribuição necessários para ter acesso à aposentadoria."

"O reconhecimento será calculado 1 ano para filho ou filha, 2 anos para filho ou filha adotado, 2 anos para filho ou filha com deficiência e 3 anos para o caso de terem acesso ao Abono Universal para Crianças (AUH) por pelo menos 12 meses."

A cobrança unilateral das tarefas maternas no dia a dia é muito bem retratada na série.
Em diversos episódios, Claire se vê exausta pelo trabalho não reconhecido, e sobrecarregada com mais e mais tarefas. Pensando em tudo isso, fica aqui a recomendação da série, que está disponível na Netflix, e também a reflexão do nosso próprio cotidiano e a divisão de tarefas e obrigatoriedades em nossas casas.

*O livro “Momento de voar” da Melinda Gates também disserta muito sobre esse tema, que já discutimos aqui na primeira resenha.
 

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2 COMENTÁRIO(S)

Grande Andressa, ou seria "Dêssa"? (haha). Tenho quase completa certeza de que não se lembrará de mim (nos conhecemos na época de escola, uns 9 anos atrás - minha nossa, como o tempo voa). De qualquer forma, acabei esbarrando com a revista meio sem querer e cheguei até a sua coluna “Modern Family e a nova política argentina”. Foi inevitável não pensar na história da minha mãe. Um resumo do resumo disso é que meu pai era um sujeito bastante “à moda antiga”, que prezava pela ideia deturpada de que “a mulher deveria ser a responsável por ‘cozinhar, lavar e passar’ ao passo que o marido, o responsável por trazer o feijão pra casa”. Era um misto de bizarrices com manipulação da realidade. Não chegava no nível de ‘1984’ mas não tem como evitar alguns paralelos. Não ajudou em nada ela ter se casado com 17 anos, quase sendo enxotada de casa porque os pais não tinham como manter os vários filhos. Porém, com muito ‘custo’, hoje minha mãe é a pessoa mais feliz que eu conheço: fugiu das “amarras” do casamento desequilibrado, estudou, trabalhou muito e, nessa semana, foi chamada pra trabalhar no Hospital Universitário aí em Cascavel (ela é Técnica em Enfermagem). Há muito eu não pensava nesse assunto, mas a sua coluna acabou trazendo à tona o orgulho gigante que tenho dela, ao mesmo tempo que me fez pensar sobre a quantidade gigante de outras mulheres que passaram ou ainda passam pelo que ela passou. Por favor, não estou querendo dizer que ter família e filhos seja errado, longe disso, o ponto aqui é o número de sonhos que foram abandonados pelo caminho. Mentes brilhantes que não puderam imprimir todo o potencial que têm. Um certo tempo atrás (pouco antes da pandemia), tive algumas discussões bem interessantes nesse sentido enquanto ainda estudava na UFSC. Era engraçado as reações quando o pessoal de humanas descobria que eu cursava engenharia e gostava de conversas mais profundas (haha). Estava sentindo falta disso, nem que seja para discutir comigo mesmo (no bom sentido, por favor. Não estou ouvindo vozes aleatórias – as vozes não precisam saber que eu sei que elas não existem – humor tosco, perdão), sobre assuntos diversos. Falei, falei e não disse nada (haha). Peço desculpas por tomar o seu tempo, mas senti que deveria mandar um “olá” e parabenizar pelo trabalho. Te desejo tudo de melhor e muito sucesso.
comentado por João Pedro Tonet em 30/09/2021
Oii, João! Claro que me lembro! hahaha
Muito legal ouvir esse teu relato! Muito orgulho da sua mãe também! É maravilhoso ver como as mulheres estão conseguindo mudar totalmente de vida por causa da mudança de ideologia da sociedade também. Antes pensar que as mulheres poderiam ser livres era um pecado, hoje o caminho está um pouquinho melhor, mas ainda com ressalvas. Seguimos na luta!

Muita felicidade e sucesso pra vocês!
Abração.

- Andressa
comentado por Revista Aldeia em 04/10/2021
Excelente matéria.
comentado por Angélica Döring em 11/08/2021
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