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Andressa Parizotto Ledur
Acadêmica de publicidade e propaganda, artista e apaixonada por comunicação
34ª BIENAL SP

Faz escuro mas eu canto

Publicado em: 16/11/2021


Arte também é uma forma de entretenimento?

Visitei a 34ª Bienal de São Paulo na metade de outubro desse ano e ainda continuo refletindo o quanto as expressões artísticas podem ser consideradas formas de distração e entretenimento, mas refletem um sentido político e realidades por vezes assombrosas.

Com o tema “Faz escuro mas eu canto” (devido ao tempo “escuro” em que vivemos), a exposição permanece de 04 de setembro a 05 de dezembro de 2021 e traz um sentido de resistência e reflexão através das obras sonoras, visuais e interativas.
 

O título da Bienal, “Faz escuro mas eu canto”, foi retirado do poema do amazonense Thiago de Mello, publicado em 1965, funcionando como um enunciado da mostra. “Por meio desse verso, reconhecemos a urgência dos problemas que desafiam a vida no mundo atual, enquanto reivindicamos a necessidade da arte como um campo de resistência, ruptura e transformação. Desde que encontramos esse verso, o breu que nos cerca foi se adensando: dos incêndios na Amazônia que escureceram o dia aos lutos e reclusões gerados pela pandemia, além das crises políticas, sociais, ambientais e econômicas que estavam em curso e ora se aprofundam”, escrevem os curadores.


Entre as obras que mais me chamaram a atenção está a caixa de sons intitulada FRYDM!, de Luisa Cunha. Enquanto andava entre as obras no terceiro piso, ouvia ao fundo um som de gritos, que pareciam pessoas sendo torturadas. Seguindo o som, encontramos uma caixa com diversos fios vermelhos, de onde saíam os grunhidos. Os gritos repetitivos da obra de 2011 são uma releitura do grito de presos ao serem libertados de prisões subterrâneas, na Líbia. 
 
FRYDM!
2011, 1 altifalante, embalagem de cartão castanho (17x14x9cm) cerca de 10m de cabo áudio vermelho e preto, leitor de CD com amplificação, CD com voz gravada, duração: 23’’ em ‘loop’

Forte. Não para entreter, mas deixar o visitante desconfortável, provocar a reflexão.

Além dessas, obras que podemos levar para casa como cartazes com frases políticas, plantas e sementes, filmes, interações com fones, pinturas, cartas… todas se unem para dar sentido à resistência que perseguimos e o sentido do ato de seguir cantando, lutando, seguindo.

Por ser difícil ir até São Paulo para visitar a exposição, recomendo muito a leitura das obras que a compõem, e esse vídeo da @vivieuvi que explica e mostra algumas obras da amostra:
 

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