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Entretenimento

Andressa Parizotto Ledur
Acadêmica de publicidade e propaganda, artista e apaixonada por comunicação
REALITY SHOW

Mediocridade no paredão

Publicado em: 08/02/2022
E vamos para mais um gênero de entretenimento, este que toma o primeiro lugar em todas as plataformas sociais: Big Brother Brasil e os reality shows atuais

Seja para distanciamento da própria realidade, análise de comportamento dos participantes (famosos ou não), ou para fofocar sobre os acontecimentos, os reality shows são um sucesso certeiro ao despertarem uma realidade paralela à nossa, muitas vezes almejável.

Quem nunca se imaginou dentro da casa mais vigiada do Brasil, reagindo e brigando no lugar dos integrantes do programa? Como seria a minha reação se fizessem isso comigo?

Nesse sentido de realidade inatingível estão comportamentos repudiados aqui fora, mas imprescindíveis no confinamento: brigas, discussões, pegação, traições, preconceito, etc.
Todas as interações programadas pela produção têm como foco a geração de conflitos. Felicidade não dá audiência. Ninguém curtiu quando os participantes estavam em harmonia cantando músicas, ou perdoando atos irrelevantes que poderiam ser motivo de conflito. 

Mas por que não queremos ver felicidade e harmonia na hora do nosso descanso?
Passar o dia todo resolvendo tarefas e muitas vezes conflitos do dia a dia, para chegar em casa e ver briga na TV. E se forem conversas afetuosas, amizades e companheirismo já nos é irrelevante.

Uma ótima ilustração disso foi a última edição do programa, que teve como recorde de interações negativas a cantora Karol Conká. O assunto ficou nos trends e nas chamadas de capa de grandes meios de comunicação, e conseguiu reerguer a fama da artista. Contra isso, vimos o esquecimento de muitos participantes que foram harmoniosos e não “deram o que falar”.

A projeção das nossas vontades intrínsecas nos participantes do programa pode ser o nosso objeto de discussão aqui. O código social de que não podemos ser conflituosos em nosso meio gera essa tensão de impulsos reprimidos, tendo como único refúgio a busca por um entretenimento voyeurista (neste sentido, um prazer “social” de acompanhar a vida alheia) em que lançamos nossas ânsias nos integrantes do reality - ou nas novelas, séries, personagens políticos, vozes de grande alcance…

A grande repercussão deste “entretenimento medíocre” - vide a polêmica recente sobre o assunto envolvendo o termo - deve-se também, como grande fator, ao fácil acesso à rede aberta nacional, resultando no sucesso de audiência em horário nobre.

Viver em sociedade impõe que disfarcemos os impulsos mais primitivos que nos constituem: ter vontade de brigar, xingar, gritar, ou outras vezes nos declarar, expor verdades e oprimir. 

A questão é: até que ponto isso é saudável e a partir de quando passa a ser um transtorno?

Independente de assistir ou não BBB e outros reality shows, bora pra análise, pessoal!
Até mês que vem!

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