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Ele simplesmente passa

Publicado em: 19/03/2019

O tempo exerce uma espécie de magia sobre as pessoas. Quando somos crianças, ele é grande, passa devagarinho e parece ser infinito

Faz tempo que eu queria falar sobre ele e agora chegou a hora. Dono de muitas facetas e significados, ele pode ser amado ou odiado, dependendo apenas do ponto de vista. Ele é poderoso, implacável e não volta atrás sob hipótese nenhuma. Estou falando do nosso companheiro inseparável: o tempo, a quem são atribuídos verdadeiros milagres, já que só ele é capaz de curar tudo. Só não se sabe em quanto tempo isso acontece. A nós, cabe esperar. E quando a demora é grande, dizemos que se deve dar tempo ao tempo. 

Ele é autossuficiente e muito forte, e talvez seja por essa razão que ninguém nunca conseguiu detê-lo. Mas ele pode ser medido por vários tipos de relógio, pelo sol, pelas estações do ano, pelas marcas em nosso autorretrato e pelas lembranças. O tempo exerce uma espécie de magia sobre as pessoas. Quando somos crianças, ele é grande, passa devagarinho e parece ser infinito. Datas como aniversário e Natal, por exemplo, demoram muito pra chegar. 

Mas, à medida que crescemos, vamos percebendo que ele não é tão grande assim, passa voando e infelizmente tem fim. Ninguém sabe a sua idade. Isto porque, às vezes, ele age como um velho ranzinza; em outras ocasiões ele se comporta feito uma criança travessa e em outras, ainda, como um jovem apaixonado. O que se sabe é que o tempo é caprichoso, basta nós prestarmos atenção na florada da primavera que, depois de um ano, se refaz e volta colorindo e perfumando tudo à sua volta. Sabe-se também que o tempo é danado de brincalhão, quando estamos com pressa ele também se apressa e quase sempre nos atrasamos. 

Mas quando podemos ir devagar, ele fica lento só pra nos acompanhar. Por ser tão inspirador e misterioso, o tempo já conquistou a fama brilhando em versos de músicas e poesias. Ele é um verdadeiro escultor de personalidades: o tempo forma, deforma, fere, assola, transforma, cura, consola, molda. Se é justo ou injusto, nunca saberemos. Mas é bom ficarmos sempre atentos porque o tempo não para, não espera por nada e por ninguém. Soberano, ele simplesmente passa.
 

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