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A vida imita o parque

Publicado em: 18/03/2020

A vida é assim, altos e baixos, gostos e desgostos, partidas e chegadas, lágrimas e sorrisos, dias escuros e dias lindos, cheios de sol. E tal qual o brinquedo do parque, ela sempre recomeça, retoma o movimento

Presença garantida na maioria dos parquinhos públicos e particulares, a gangorra é composta por uma tábua longa e estreita, afixada em um ponto central. O brinquedo funciona como uma alavanca, de maneira que quando uma criança está do lado alto, a outra está do lado baixo. Com o impulso da que está embaixo e com o peso da que está em cima, elas vão trocando de lugar alternadamente.
 
E quando se está no alto é possível ver tudo e a todos de cima, dá pra sentir o vento no rosto e no cabelo, e se está sempre em evidência. Porém, há grande vulnerabilidade no ar, pois o risco de queda é constante. Quando se está embaixo, a cabeça fica quase sempre erguida e se tem livre arbítrio para tomar impulso e subir ou para ficar ali mesmo. Nesse ponto há maior estabilidade. Os pés ficam literalmente no chão e a probabilidade de queda é pequena.

Na maioria das situações do nosso cotidiano o movimento da vida e da gangorra é igual. É só a gente prestar atenção. Enquanto o seu bichinho de estimação saboreia um alimento balanceado, lá fora um jovem revira o lixo do prédio pra matar a fome com restos de comida. 

Você está quase de joelhos pra agradecer pelo seu sorvete preferido. Mas aí o seu médico aparece do nada e, sem dizer nenhuma palavra, lembra a você que a sua glicemia está nas alturas e que é bom mesmo começar a rezar.

No meio do caminho uma idosa machuca o braço e atrasa a viagem de todo mundo. Mas o abraço de agradecimento que ela nos deu na chegada foi capaz de compensar o cansaço de todos.

O gato, a violeta e o broto de pinheiro moravam na varanda. As duas plantas, inclusive, dividiam o mesmo vaso. Por natureza, o pinheiro sempre gostou de muita água e os outros dois vivem com pouco. Conclusão, ele morreu de sede. Justo ele, cuja espécie está quase extinta. Para homenagear o companheiro falecido, a violeta floriu lindamente.

A vida é assim, altos e baixos, gostos e desgostos, partidas e chegadas, lágrimas e sorrisos, dias escuros e dias lindos, cheios de sol. E tal qual o brinquedo do parque, ela sempre recomeça, retoma o movimento, não importando muito se vai pra baixo ou se vai pra cima. A vida simplesmente continua a sua jornada.

 

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