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Maldição ou milagre?

Publicado em: 21/05/2020

Ainda sem um antídoto conhecido, o coronavírus avança a passos largos e atinge a todos, causando medo, desemprego, fome, morte e muito sofrimento

De repente, no mundo todo, as pessoas se trancaram em suas casas, passaram a falar a mesma língua, a adotar os mesmos hábitos e a lutar pela mesma causa. Mas e a tradição, a religião, a ideologia e a classe social? Não, agora nada mais nos diferencia. Agora, o que nos nivela de maneira inquestionável é, literalmente, uma questão de vida ou morte. Todos tememos e lutamos contra um inimigo tão pequeno que chega a ser invisível, mas tão grande e avassalador que chega a matar multidões em horas, destruir famílias e a desafiar os pesquisadores mais dedicados. Ainda sem um antídoto conhecido, o coronavírus avança a passos largos e atinge a todos, causando medo, desemprego, fome, morte e muito sofrimento. 

No Brasil, de Norte a Sul, planos, festas e abraços foram adiados, plateias silenciadas, viagens canceladas, ruas esvaziadas e muitos partiram pra sempre sem ao menos um olhar de despedida. Parece que a vida “deu um tempo” e até a natureza mudou. O Amazonas continua sendo o maior rio, mas agora está cheio de lágrimas. Foz ficou sem foz. Sim, para evitar as aglomerações, o Parque Nacional do Iguaçu precisou ser fechado por alguns dias.

Felizmente, nem tudo é negativo. Em meio ao caos, nós estamos tendo a chance de testemunhar as mais diversas e impensadas demonstrações de solidariedade. Israel e Palestina empunhando a mesma bandeira branca em nome da vida. Crentes e ateus, de mãos dadas, clamando aos céus em uma mesma oração. Grupos folclóricos e times de futebol, adversários desde sempre, agora vestem a mesma camisa para juntos enfrentarem o maior rival de todos os tempos. A cor que eles usam? Bom, a cor, tanto faz porque agora eles estão do mesmo lado. Gigantes organizações financeiras, concorrentes entre si, agora são aliadas e juntas doam grandes somas para ajudar a combater o coronavírus. Renomadas empresas abrem mão do lucro e doam equipamentos de proteção a instituições de saúde e também a moradores de rua. Outras fabricam e doam milhares de litros de álcool em gel com aroma de esperança. Vizinhos desconhecidos batem na porta de idosos, mas não para pedir açúcar emprestado e sim para perguntar se esses idosos precisam de algo do supermercado ou da farmácia. Essas são apenas algumas das incontáveis ações em prol do próximo, com as quais nos deparamos todos os dias. 

Somente uma força inexplicável seria capaz de tocar o mundo desse jeito, unindo as pessoas, despertando empatia e solidariedade e, principalmente fazendo que a gente olhe e se importe com o que realmente importa. 

Depois que a pandemia passar, tomara que essas atitudes do bem continuem contagiando as pessoas.
 

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1 COMENTÁRIO(S)

Artigo precioso, informando, mostrando como a realidade está acontecendo em torno do virus e da pandemia. Gostei muito de ler, vou encaminhar para alguns amigos. "Somente uma força inexplicável seria capaz de tocar o mundo desse jeito, unindo as pessoas, despertando empatia e solidariedade e, principalmente fazendo que a gente olhe e se importe com o que realmente importa. " Só tenho a agradecer, Rosi.
comentado por carmen regina dias em 22/05/2020
Carmen, agradeço pelo comentário e, principalmente, pelo conteúdo dele.
Esse é mais um daqueles textos que se escrevem sozinhos (como eu costumo dizer).
Que bom que ele está conseguindo tocar o coração das pessoas.
Muito obrigada.
comentado por Revista Aldeia em 25/05/2020
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