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FORA DA OCA

Proteja-me porque sou um pedaço seu

Publicado em: 19/06/2020

Mas há um inimigo à solta do qual nós não conseguimos nos defender. Um inimigo, ironicamente inteligente, mas que luta contra nós com armas e regras desleais e traiçoeiras

Toda vez que uma de nós tomba, o ar fica pesado, a paisagem fica triste, o mundo fica ainda mais devastado e a humanidade fica muito mais pobre.  Toda vez que uma de nós tomba, inúmeras espécies da fauna perdem as suas casas. Muitas mães, quando retornam da busca por alimento, encontram seus ninhos destruídos, seus filhos mortos e o ciclo daquelas vidas é interrompido pra sempre.

Toda vez que uma de nós tomba, diversas espécies da flora são assassinadas também e nunca mais vão florir. Toda vez que uma de nós tomba, os rios ficam com menos água e a vida de animais e vegetais aquáticos diminui tristemente.

Toda vez que uma de nós tomba, muitas nascentes nem chegam a nascer e nunca poderão matar a constante sede da terra e das pessoas. Toda vez que uma de nós tomba, mais geleiras derretem e o aquecimento global aumenta.

Toda vez que uma de nós tomba, aumenta a poluição das grandes cidades e também dos centros industriais mundo afora. Somos parte de um gigantesco organismo chamado ecossistema. E, como acontece em qualquer outro organismo, quando membros são amputados todo o restante do corpo sofre com o desequilíbrio.

Ao longo da nossa vida, enfrentamos e vencemos muitos obstáculos. Quando somos jovens nos curvamos, acompanhando a dança caprichosa das intempéries. Quando somos adultas, muitas vezes com o corpo totalmente retorcido pelas marcas do tempo, já não precisamos mais nos vergar porque agora somos fortes o suficiente para suportar as tempestades. Essa é a lei da natureza. 

Sempre foi assim e deveria continuar sendo. Mas há um inimigo à solta do qual nós não conseguimos nos defender. Um inimigo, ironicamente inteligente, mas que luta contra nós com armas e regras desleais e traiçoeiras. À mercê dele, somos presa fácil de canetas irresponsáveis, de leis imorais e sempre acabamos perdendo a vida para os vorazes dentes das motosserras.

Falo em nome de todas as árvores. Em especial, falo em nome das Araucárias e das demais espécies que, mesmo estando quase em extinção, continuam sendo abatidas covardemente pelo predador mais implacável de todos os tempos: o homem.


 

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