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Uma relação intensa e perigosa

Publicado em: 28/10/2020

Se os fabricantes de produtos embalados, os comerciantes, os governos e cada um de nós, consumidores, pensássemos as embalagens como matéria-prima e não como lixo, talvez ainda houvesse saída

Tudo começou, há muitas e muitas luas. As embalagens plásticas chegaram de mansinho e conquistaram a todos, graças à praticidade que elas representavam e representam principalmente nos dias de hoje. Além das plásticas, existem ainda as de papel, de papelão, isopor, silicone e outras tantas que nem sei. Seus modelos, tipos, tamanhos e finalidades são infinitos. E a nossa relação com elas anda cada vez mais intensa. 

Hoje, somos praticamente uma ilha cercada de embalagens por todos os lados e a convivência com elas nem sempre é pacífica. É embalagem que abre e nunca mais se consegue fechar; é embalagem que não abre, nem sob ameaça; é embalagem frágil que se rompe bem no meio da escadaria. E, cá entre nós, catar frutas escada abaixo é tranquilo, perto de ter que catar cacos de vidro e ainda enxugar o vinho derramado. 

Esses dias, fui à casa de uma amiga e percebi que os sacos de lixo do banheiro, cozinha, lavanderia, etc, estavam bem amarrados às lixeiras. Voltei de lá pensando: será que isso é por medo que os sacos saiam por aí? Seriam sacos fujões? Em locais públicos, amarrar os sacos à lixeira faz sentido, pois o vento pode carregá-los. Mas em casa, achei curioso. 

Outra situação corriqueira, envolvendo as embalagens, começa quase sempre em reuniões animadas e muitas vezes acaba com a amizade dos envolvidos. Quem nunca levou pra casa uma sobra do almoço ou da festa de aniversário em um potinho plástico com tampa? Pois é, e em troca a pessoa deveria apenas devolver a embalagem (com a tampa). Na maioria das famílias é um tal de leva o pote, traz o pote, cadê o pote, esse pote não é meu, eu vi o meu pote na casa da fulana, o meu é transparente e com tampa vermelha. Eu mesma, não facilito, prefiro ceder apenas os potes pelos quais não tenho apego.

Que bom se esses fossem os nossos únicos dissabores com as embalagens. Mas a realidade é triste. As embalagens, principalmente as plásticas, se transformaram em uma espécie de câncer que está matando o planeta. O problema é grande e complexo, porém acredito que se todos adotássemos uma postura diferente diante dele, seria possível, ao menos, minimizar as suas consequências. 

Se os fabricantes de produtos embalados, os comerciantes, os governos e cada um de nós, consumidores, pensássemos as embalagens como matéria-prima e não como lixo, talvez ainda houvesse saída. É óbvio que ninguém vai deixar de consumir, porém é necessário que esse consumo aconteça de maneira responsável e isso vai muito além de separar os resíduos secos dos orgânicos, na hora do descarte. Essa prática demanda pensar diferente, pensar de maneira racional e sustentável. Isso não é fácil, porém é possível. Basta a gente começar a tentar.


 

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