Colunas

A entrega

Publicado em: 16/04/2021

O vírus que está causando a pandemia é cruel e poderoso e, além de atacar ferozmente o sistema respiratório
das pessoas, está atacando a economia do planeta

Há pouco mais de um ano, por consequência da pandemia da covid-19, para uns, o mundo parou. Para outros, quase. E para muitas pessoas que perderam seus empregos, perderam suas empresas, perderam o seu “bico”, o mundo acabou. O vírus que está causando a pandemia é cruel e poderoso e, além de atacar ferozmente o sistema respiratório das pessoas, está atacando a economia do planeta, destruindo patrimônios, sonhos e planos. Ataque esse que está resultando em outros ataques: do coração, de ansiedade, de pânico. 

A depressão e o suicídio passaram a fazer parte da vida e da morte das pessoas. Quem sobreviveu, metaforicamente falando, criou anticorpos e reviveu. Na tentativa de ganhar o pão de cada dia, uma das saídas mais procuradas foi a de motoboy, entregador, leva e traz, vai e vem, etc. Essa foi uma das profissões que mais teve crescimento, pelo menos, no Brasil. As pessoas que, como eu, tiveram a sorte da manutenção dos seus empregos e o privilégio de poder trabalhar à distância, precisavam e precisam comer, receber as compras do supermercado e da farmácia. 

E ninguém ficou desamparado, porque o entregador entrou em ação e não parou. Ele sai cedo de casa, enfrenta o sol escaldante, a chuva que embaça a sua visão, enfrenta a falta de educação de alguns clientes, trava batalhas com o relógio, sobrevive às fechadas no trânsito e só volta pra casa altas horas da noite. Se ele descansa, se almoça, eu não sei. O que sei é que o entregador fez e está fazendo a diferença nesses tempos de incertezas, está fazendo o mundo girar, apesar de todos os pesares, apesar de todos os pêsames, apesar de tanto medo e insegurança, apesar de estarmos todos meio inertes. 

Mas não foi apenas o entregador que se entregou para ganhar o pão durante a pandemia. Veja, não estou me referindo às pessoas que apenas mudaram de endereço. Antes davam expediente no prédio da empresa e agora dão expediente pela empresa, mas em casa. Estou me referindo àqueles que mudando ou não de profissão, nunca pararam, nunca mesmo. 

Como os médicos, enfermeiros, cozinheiros, porteiros, coletores de lixo, trabalhadores de funerárias, coveiros, trabalhadores rurais, caminhoneiros, cozinheiros, zeladores e tantos outros que nem sei contar. Eles não pararam e se entregaram ao trabalho para que outros, como eu, pudessem ficar em casa, trabalhando, mas sem correr o risco de cruzar com o coronavírus. Que seja por necessidade, amor ou solidariedade, eles se entregaram e se entregam pra nos entregar conforto, segurança, rapidez e, acima de tudo, esperança.


 

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