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Rosí Czepula Meassi
É publicitária e jornalista.

Mais umas de português

Publicado em: 17/06/2021
Fazer piada de português é muito fácil. Quero ver é entender as conversas da época do Senhor Arcaico, o bisavô do português

Por terem aprendido a falar, ouvindo e repetindo palavras originárias principalmente do latim, os parentes mais velhos do português eram criaturas letradas, que usavam expressões extremamente rebuscadas, tanto em ocasiões especiais quanto no dia a dia. Mas, com o passar do tempo, os descendentes foram descomplicando a linguagem. 

Nada de extraordinário, já que em toda família é assim mesmo. À medida que o tempo vai passando e que os novos integrantes vão nascendo, o jeito de se comunicar muda naturalmente de geração para geração e a tendência é que essa comunicação seja cada vez mais simplificada. Basta prestarmos atenção na maneira como os nossos filhos e netos se expressam e na maneira que os nossos pais e avós se comunicam. Dependendo da conversa entre duas ou três gerações, há a necessidade de um intérprete ou mediador para que todos se entendam.

Com o português não é muito diferente. De tempos em tempos algumas expressões acabam aparecendo mais nos discursos, seja na imprensa, nas redes sociais ou em conversas corriqueiras, aí na sua casa, enquanto outras palavras são cada vez menos usadas. Lembram dos paradigmas? Pois é, parece que eles, enfim, foram quebrados, porque andam meio sumidos. 

Em compensação surgiram outros termos para denominar as mesmas coisas que antes eram representadas por palavras que sempre usamos. Isso sempre me intrigou. Afinal, de onde vieram essas palavras e por quê? Até quando ficarão conosco? E depois, pra onde irão? Foi aí que um grupo de professores de língua portuguesa acalmou o meu coração. Eles me explicaram que o nosso idioma está sempre em movimento, em evolução e que as novas expressões que surgem vêm de encontro à nossa vontade ou necessidade de nominar coisas ou situações de uma maneira mais fácil à nossa compreensão. Segundo eles, isso é uma tendência. 

Se os paradigmas foram quebrados ou não, nunca saberemos. O que já se sabe é que hoje, entre outras tantas expressões contemporâneas, temos a “devolutiva”, o “muito lindo”, a “celeridade”, o “por conta de” e os “derivativos” que, provavelmente vão derivar outros termos num futuro próximo. 

Me parece curioso esse fenômeno, já que temos dificuldade de conjugar simples verbos e também de fazer determinadas concordâncias verbais e nominais. Diante desse cenário, pra que criar novas palavras, cujos sinônimos e significados já sabemos? Mas, é como diz aquela outra expressão da moda: “É vida que segue” ou, ainda, aquela outra famosa: “seguimos acompanhando”.

 

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