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Fora da Oca

Rosí Czepula Meassi
É publicitária e jornalista.

Afinal, qual é o problema?

Publicado em: 13/07/2021
Em nome das diferenças, o ser humano humilha, agride física, moral e psicologicamente e mata sem a menor cerimônia, sem a menor piedade

Ser diferente é normal. Há alguns anos, essa frase ficou famosa como slogan de uma campanha publicitária que falava lindamente sobre os portadores da síndrome de Down. Raras vezes uma frase curtinha assim disse tanto. Talvez seja pelo fato dela dizer o óbvio. 

Primeiro porque, apesar de sermos feitos da mesma essência, não derivamos de uma produção em série. Logo, não há como todo mundo ser igual. Somos diferentes no caráter, na maneira de pensar, na orientação sexual, na cor, na crença e no comportamento como um todo. Isso é o que nos torna únicos. E segundo porque o “diferente” é absolutamente normal. Mas, então, por que o diferente nos estranha tanto? 
 
Em nome das diferenças, o ser humano humilha, agride física, moral e psicologicamente e mata sem a menor cerimônia, sem a menor piedade. Isso porque, equivocadamente, julga estar “fazendo justiça”. Todos os dias, os noticiários nos relatam casos de pessoas que morreram só porque eram mulheres que levantaram a cabeça ou só porque eram homossexuais ou só porque eram negras ou só porque não concordavam com o seu algoz.
 
Em nosso cotidiano, temos tanto medo de parecer “fora do normal” que nos submetemos a uma padronização ou pasteurização constante. Essa pasteurização nos enquadra em uma mesma moldura, seja ela representada pela roupa, pelo corte de cabelo ou pelo vocabulário.

Pensando bem, não sei se é moldura ou armadura. Claro que nem tudo é passível de ser blindado. Ninguém pode, por exemplo, mudar a cor da própria pele só para agradar aos outros ou para se proteger dos predadores, como faz o camaleão. 
 
Mas afinal, o que nos incomoda tanto? Qual é a dificuldade em aceitar o outro como ele é?  Não é primeira e talvez esteja longe de ser a última vez que discutimos esse assunto. Até porque, cá entre nós, será que o caráter tem sexo?

Será que o sangue, dependendo do credo ou da orientação sexual, tem outra cor além do vermelho ou outra composição? Será que o amor tem gênero ou raça? Será que a compaixão e a empatia dependem de alguma crença? Não mesmo. Então, qual é o problema?
 
Acredito que somente quando conseguirmos evoluir mental e espiritualmente vamos entender que somos diferentes e que é isso o que nos torna iguais, como de fato somos, com todas as nossas diferenças. Mas para isso, é preciso se despir de todo preconceito ou medo.

Para isso, é preciso se despir da ignorância e abrir os olhos e o coração. Somente depois de estarmos despidos de todas essas barreiras é que conseguiremos desvendar os nossos olhos e entender a grandiosidade dessa pequena frase: ser diferente é normal.
 

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