A revista mais premiada do Paraná
14 anos de história

Fora da Oca

Rosí Czepula Meassi
É publicitária e jornalista.

Aprecie com moderação

Publicado em: 21/09/2021
Toda essa facilidade de comunicação faz parte da evolução e é um caminho sem volta. Mas é preciso estar sempre alerta

A tecnologia da informação nunca foi tão útil e necessária quanto agora. Graças a ela, podemos trabalhar, aprender, ensinar, comprar, pagar e até namorar remotamente. Ela chega perto, chega junto, sem que você precise se expor, se arriscar ou perder tempo se deslocando pra resolver questões que podem ser liquidadas com um simples clique.

Mão na roda, milagre, mágica. Todos os créditos vão para a sua majestade a “tecnologia da informação” e todas as suas formas ou faces.

Como exemplo dessa verdadeira revolução, podemos citar as redes socias que já eram as queridinhas de todo o mundo, bem antes da pandemia da Covid-19 ter sido declarada em 2020. É incrível, mas antes dessas redes nos pescarem ou nos prenderem de vez, nunca tivemos tantos amigos. Nunca beijamos tanto, o beijo virou lugar comum e se misturou à paisagem. 

Esses dias ouvi de um amigo a seguinte história: “Fim do expediente, eu super apressado pra uma prova bem complicada e o chefe me chama. Na ânsia de sair correndo, eu me despedi dele dizendo: Sim, senhor. Beijo. Até amanhã.”

Detalhe: meu amigo é formal e muito tímido e o seu chefe é um senhor de idade avançada, conservador e carrancudo. Imaginem a cena. Tudo por culpa do beijo que está no piloto automático. 

Nas redes sociais, além dos milhões de “amigos” e do beijo correndo à solta, nunca fomos tão gratos. A gratidão se transformou em uma espécie de mantra. O que não deixa de ser bom. Mas será que antes das redes socias nós não tínhamos a capacidade de beijar, de ter muitos amigos e de sentir gratidão?

Essa atmosfera sedutora e absolutamente democrática, aberta a todos e a todas, nos impõe, sobretudo, o gigantesco desafio de ensinar aos nossos filhos e netos a difícil missão de saber separar o que é joio e o que é trigo nessa grande rede.

Há alguns anos, me deparei com uma colega de academia que não estava a fim de suar, mas estava a fim de postar o seu suor. Sentada na ergométrica, ela borrifou muita água sobre seu rosto e colo. Em seguida, fez uma selfie, postou e o seu post “bombou”. Nem poderia ser diferente porque a foto estava linda. Só tinha um problema: era fake.

Toda essa facilidade de comunicação faz parte da evolução e é um caminho sem volta. Mas é preciso estar sempre alerta. Comparadas a qualquer outra situação delicada, como o relacionamento com a cunhada, cunhado ou sogra, por exemplo, as redes sociais precisam ser vivenciadas e apreciadas com muita moderação porque elas podem ser o nosso remédio ou o nosso veneno.

Só vai depender da dose.
 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Expresse, fale, opine, sugira! Nós queremos fazer nossa Aldeia cada vez melhor.

Importante: Comentários com conteúdo sensível, impróprio ou que for considerado inadequado – por qualquer motivo, a critério do moderador – serão sumariamente deletados.

1 COMENTÁRIO(S)

Excepcional texto sobre o uso das redes sociais, fazendo-nos crer que realmente, é uma questão de dose moderada e equilíbrio!
comentado por Zeni Castilho em 01/10/2021
© 2022 REVISTA ALDEIA Todos os direitos reservados.
Alguma dúvida? Nos te ajudamos. Ligue: (45) 3306-5751