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Fora da Oca

Rosí Czepula Meassi
É publicitária e jornalista.

Eu também tenho a maior queda por você

Publicado em: 25/11/2021
Onde há pessoas, há pontos de vista, necessidades e interesses diferentes e o respeito, a empatia e o amor quase nunca são convidados para essa convivência

Como diria a minha mãe, o ser humano não é flor que se cheire. Tudo é motivo de discussão, de discriminação, de processo, de reivindicação. O amor logo se transforma em ódio, perseguição e crime. O futebol que era pra ser motivo de confraternização, união e alegria é desculpa para ofensa, algazarra, depredação e outras manifestações negativas. 

Na maioria das cidades pequenas são os mexeriqueiros de plantão e as suas verdades absolutas cheirando à naftalina. Nos grandes centros é uma verdadeira selva de pedra, em todos os sentidos e salve-se quem puder.

Isso não é novidade pra ninguém. Onde há pessoas, há pontos de vista, necessidades e interesses diferentes e o respeito, a empatia e o amor quase nunca são convidados para essa convivência. 

Mas, tal qual uma fonte de água fresca em pleno deserto, existe um mundo paralelo onde há pessoas de várias nacionalidades, de tradições, costumes, crenças, trajes e idiomas muito diferentes, mas que falam a mesma língua, se respeitam mutuamente e vivem em harmonia. Uma lição de tolerância e igualdade, em pleno caos. Utopia? Poesia? Não.

Esse lugar existe e se chama Foz do Iguaçu. Uma cidade ímpar, que entre outros tantos atributos, abriga as Cataratas do Iguaçu, uma das maravilhas naturais do mundo e um dos destinos turísticos mais procurados no país. Foz já nasceu falando três idiomas. À medida que foi crescendo, apendeu outros e mais outros o que a transformou em uma cidade poliglota e cosmopolita. 

Será que essa característica de ser plural, respeitando a individualidade de cada um, Foz herdou da natureza? Dois grandes rios banham a cidade e em um determinado ponto, esses rios se encontram e passam a caminhar lado a lado.

Suas águas não se misturam, preservando, cada um, a sua individualidade, porém com a sabedoria da natureza, seguem o seu curso juntos e solidários, enfrentando chuvas e estiagens até o fim da jornada. 

No passado essas águas separavam Foz dos seus vizinhos paraguaios e argentinos, mas a engenharia construiu grandes e robustas pontes de concreto e uniu a todos. Assim nasceram as pontes da Amizade e a da Fraternidade, cujos nomes expressam o principal motivo da união.

Mas é nítido que outras pontes invisíveis aproximam essas pessoas tão diferentes tornando-as iguais. E não estou me referindo apenas a esses dois países, me refiro também à população de Foz.

Nas calçadas da cidade podemos encontrar olhos puxados, olhos amendoados, cabeças e rostos cobertos e corpos quase todos descobertos. Culturas tão diferentes, dividindo o mesmo espaço em harmonia, porque em Foz todos são iguais. Em suas ruas e avenidas, lindas mesquitas e igrejas cristãs se avizinham e todos se curvam diante do respeito que há entre eles. 

Esta inspiradíssima frase já foi slogan de campanhas publicitárias que anunciavam a cidade: “Foz do Iguaçu tem a maior queda por você”. Na verdade, o mundo todo tem a maior queda por Foz, porque não tem como não amar um lugar assim.

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