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Fora da Oca

Rosí Czepula Meassi
É publicitária e jornalista.

Precisamos de mais pontes

Publicado em: 19/05/2022
Há alguns anos, eu fui prestar a minha última homenagem a um senhor gaúcho que se despediu da vida com seus mais de 80 anos.

Uma grande fila levava as pessoas até ele e todos lamentavam muito a perda daquela pessoa que parecia ser íntima de cada um dos presentes, que não eram poucos. Em determinado momento, alguém convidou aos presentes para cantar uma música da qual o falecido gostava muito.

Eu não conhecia a canção, mas logo entendi o porquê da sua escolha. O refrão dizia assim: “Vamos construir uma ponte em nós...”, a letra dessa música fala de união e de amor.

A pessoa da qual estávamos nos despedindo era um homem culto, empresário bem sucedido, cidadão influente e muito atuante nas decisões sobre os destinos da cidade e da região. Mas o seu maior legado foi o exemplo de amor ao próximo.

Ele dedicou grande parte da sua vida amparando e proporcionando oportunidades a crianças e adolescentes em situação de risco. Ele era uma ponte muito forte, sustentada pela empatia e pela solidariedade. Uma ponte chamada Hylo Bresolin, que levava futuro a quem mal tinha o presente.

Neste momento de recomeço, de retomada, achei pertinente compartilhar essa minha lembrança com vocês. Afinal, a vida está nos dando mais uma chance. Uma boa oportunidade para derrubar muros, diminuir abismos e construir pontes. 

Podem ser pontes ou fontes de oxigênio como a que foi criada pelo fotógrafo Sebastião Salgado e sua esposa. Podem ser pontes de pão, amor e esperança como as que foram construídas pela madre Tereza, pela irmã Dulce e pelo Chico Xavier.

Podem ser pontes de igualdade entre todos os seres humanos. Essas, inclusive, já têm fortes alicerces levantados pelo líder Nelson Mandela. Podem ser, ainda, pontes de vez e de voz contra a violência e o abandono, sejam eles de  seres de duas pernas ou de quatro patas. Podem ser também pontes de conhecimento, como aquelas que somente os mestres são capazes de construir. Podem, ainda, ser pontes ou fontes de energia renovável, enquanto ainda há tempo.

Mas essa construção é um trabalho difícil e demorado. Então, podemos começar a praticar construindo pontes menores. Até porque em um mundo extremamente egoísta, dividido por muros e abismos, qualquer galho sobre um pequeno córrego já faz toda a diferença para quem precisa chegar vivo do outro lado. Que nesses novos dias, quase sem máscaras, sejamos mais pontes e menos abismos.
 

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1 COMENTÁRIO(S)

Sim, vamos construir Pontes, Fontes, para, ao menos tentarmos ajudar, ao menos, o nosso próximo mais próximo, e assim criarmos uma Corrente do Bem! Parabéns! Como sempre, EXCELENTE!próximoComentários
comentado por Zeni Ferreira Castilho em 25/05/2022
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