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Mãe não é tudo igual

Publicado em: 12/05/2017

São muitas histórias pra contar, mas não terei netos para ouvi-las. Se eu fui poupada ou castigada, não sei, nunca fui mãe. Em compensação, tenho mais de uma. De sangue, tenho duas mães: a que me deu a vida, o seu nome, o seu leite, o seu amor e as primeiras chineladas também, e a segunda mãe é a que sempre me deu ouvidos e puxões de orelha.

As outras são a dona Matilde benzedeira; a dona Olga, uma japa bem pequenininha e a dona Maria gorda que agora é magra. Elas são pessoas especiais e que em algum momento da vida foram minhas mães também. Cá entre nós, acredito que a maioria das pessoas também tenha mais de uma mãe. O mês de maio é dedicado a todas elas. E este texto também.

Às mães que acordam antes do sol e deixam seus filhos aos cuidados da vizinha, da sorte ou sabe-se mais de quem para que elas possam ir buscar o pão de cada dia, cuidando dos filhos de outras mulheres. Às mães que doam seus filhos porque têm certeza de que a família de criação dará pra eles o presente e o futuro que ela jamais será capaz de dar.

Às mães que nunca deram à luz, mas que têm um monte de filhos e que são tão mães quanto as naturais. Às mães que não dormem enquanto os filhos não chegam da aula ou da balada. Às mães que carregam seus filhos no colo, a pé, de ônibus, de carona ou do jeito que der pra irem em busca de atendimento médico. Às mães do sexo masculino, que muitas vezes e pelos motivos mais diversos, se veem diante da criação dos filhos em carreira solo.

Às mães que saem na escuridão da madrugada para tentarem encontrar os filhos perdidos para as drogas. Às mães que criam e educam seus netos. Às mães órfãs de filhos. Às mães que passam a vida sem conseguir entender ou dar um abraço neles. Às mães que são pais também. Às mães que vão pra escola aprender como lidar com filhos que necessitam de cuidados especiais.

Às mães que nunca conheceram seus filhos. Às mães idosas que não lembram dos filhos e muitas vezes também são esquecidas por eles. Às mães que doam os órgãos de seus filhos mortos para dar vida a outros filhos. Às mães que perderam seus filhos no parque, no caminho da escola ou no próprio quarto. Para as minhas e para todas as mães, o meu respeito e a minha gratidão.

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1 COMENTÁRIO(S)

Lindo texto Rosí.
comentado por Daisy em 15/06/2019
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