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Comer ou não comer. Eis a questão.

Publicado em: 08/11/2017

Ou é a dieta da moda ou é por recomendação médica ou é porque a irmã da cunhada da vizinha disse que é bom... O fato é que, já há algum tempo, estamos sofrendo de uma espécie de bipolaridade alimentar. Ora os alimentos fazem bem, ora fazem mal. Houve a época em que o ovo foi acusado de ser um dos vilões da saúde e aí, sem piedade, fritaram o ovo na cadeira elétrica da opinião pública. Ele foi banido das geladeiras e teve e seu nome proibido nas mesas de boa família.

Felizmente, o tempo que cura tudo, curou também esse mal entendido e o ovo volta em grande estilo, vira o queridinho dos atletas, tem seu lugar ampliado nas geladeiras e agora só falta ele dar autógrafos por aí. Mas ele não está sozinho. Tanto a batata doce, que nunca foi muito atraente para a maioria dos paladares, quanto a tapioca, pouco conhecida até bem pouco tempo atrás, pasmem, estão disputando os holofotes como ovo.

As gorduras, como um todo, também passaram por maus bocados. Graças aos pesquisadores do bem que separaram o joio das gorduras boas, hoje podemos nos deliciar com alimentos preparados com óleo de oliva, de girassol, de coco, entre tantos outros. Existem alguns inclusive que foram promovidos a remédio, como o óleo de peixes de águas frias (ômega 3) e o óleo de linhaça, aos quais são atribuídos benefícios para o coração e articulações. Cá entre nós, de vez em quando, comer uma batata frita preparada na banha orgânica, é capaz de fazer qualquer coração bater mais feliz.

O leite, outrora alimento universal, também já foi parar no fundo do poço e azedou. Mas, sacrificando sua própria essência, ele reagiu e se reinventou, deixou a lactose no passado e voltou com força total, roubando a cena nos supermercados e panificadoras. Ainda bem que o leite materno nunca foi acusado de nada e nem poderia. Ele é alimento fundamental para crianças até, pelo menos, seis meses de idade e para as mães que amamentam, ele funciona como uma espécie de vacina contra o câncer de mama.

Mas, em se tratando de superação de crise de identidade, acredito que a do chuchu ainda seja a mais incrível. Cansado de ser chamado de sem graça, ele também foi à luta, mudou de gênero, se vestiu de cereja e conquistou a fama. Até porque ser a cereja do bolo não é pra qualquer um.

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