Colunas

O equilíbrio é que nos mantém em pé

Publicado em: 13/03/2018

Há pessoas que não falam com ninguém, fazem somente contato virtual. Há outros que inclusive não vivem sem o celular e entram em pânico quanto não há sinal de internet. Tudo bem que a comunicação é algo fundamental, mas daí a ser um vício?

Quando nossos avós eram jovens, a comunicação era rudimentar, precária e muito lenta. Tudo demorava muito. Já na comunicação contemporânea é tudo muito rápido: mandou, chegou. E toda essa instantaneidade nos impõe também uma reação imediata. Mas e quem tem zilhões de contatos e participa de dezenas de grupos no WhatsApp?

Tem o grupo da família e seus subgrupos. Sim, porque há coisas da família que não se fala no grupo da família, bem normal, e aí surgem os grupos das irmãs; dos irmãos; dos primos de perto; dos primos de longe e assim vai. No trabalho não é diferente, tem o grupo oficial e também o dos que não participam do grupo. Tem o grupo do condomínio; da igreja, das mães da escolinha do seu filho; da galera da academia; da faculdade; do pet shop do seu gatinho.

Ah, e ainda há os grupos relâmpagos que são aqueles temporários, como a organização do aniversário ou do casamento de alguém. Não bastasse o número de contatos, tem ainda a quantidade, o tamanho e o conteúdo das mensagens: há os que não falam nada, apenas mandam vídeos ou correntes; há os que mandam áudios sem parar e também há os que contam o milagre, mas não contam o santo, e pedem para determinada pessoa do grupo responder no particular, fora do grupo. Isso é nitroglicerina pura. O resto dos componentes passa o dia especulando o que seria o tal assunto. Detalhe: não falam ali no grupo, óbvio, e sim uns chamam os outros no particular.

Haja habilidade, haja tempo para dar atenção e administrar tudo isso. Definitivamente, é tarefa só para os fortes.

Vejam esse exemplo: outro dia, em um restaurante, vi a chegada de um jovem casal. E, entre um selinho e outro, eles não paravam de teclar no celular, mesmo com a presença do garçom que os olhava meio que dizendo: “Estou aqui”. Cheguei a pensar que o casal ia pedir o número dele para que pudessem fazer o pedido pelo whats. Há pessoas que não falam com ninguém, fazem somente contato virtual. Há outros que inclusive não vivem sem o celular e entram em pânico quanto não há sinal de internet. Tudo bem que a comunicação é algo fundamental, mas daí a ser um vício?

Cá entre nós, assim como a maioria das coisas, as novas tecnologias da comunicação existem para nos servir e não o contrário, e precisam ser apreciadas com moderação. Afinal, o equilíbrio é o que nos mantém de pé, em todos os sentidos.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Importante: Comentários com conteúdo sensível, impróprio ou que for considerado inadequado – por qualquer motivo, a critério do moderador – serão sumariamente deletados.

Deixe seu comentário.