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Fora da Oca

Rosí Czepula Meassi
É publicitária e jornalista.

Preto no branco ou branco e preto?

Publicado em: 08/08/2018

Somos feitos de carne e osso e o sangue que corre nas veias do negro é tão vermelho quanto o sangue do branco. Padrões de informações vitais como pressão sanguínea, temperatura corporal, é tudo absolutamente igual para todos.

 

As diferenças estão presentes na nossa vida de maneira determinante: menino ou menina; ateu ou crente; cabeça ou coração; azul, rosa ou as cores do arco-íris; bom ou mau... Poderíamos fazer uma enorme lista seguindo esse raciocínio.

Não é preciso ir muito longe, todos nós, seres humanos, possuímos as mesmas características: caminhamos eretos, raciocinamos, temos dois olhos, uma boca, um nariz, etc. Nem por isso somos idênticos, física e muito menos emocionalmente. Por outro lado, só o fato de sermos humanos já nos coloca sob o mesmo patamar: somos todos iguais, quer queiramos, quer não. 

Então, por que tanta distinção, discriminação, separação e perseguição? Que alguns de nossos antepassados tenham sofrido na pele a discriminação, lá há muitos anos, é lamentável, mas faz parte da história. Porém, em pleno Século 21, pessoas promovendo discursos discriminatórios, nem desenhando, eu nunca vou entender. Muito menos, aceitar o inaceitável.

Com muito orgulho, sou fruto de uma família em preto e branco. Meu avô paterno, descendente de poloneses, era uma figura de pele tão branca que quase chegava a ser rosada, e tinha lindos olhos azuis. Já o meu avô materno, descendente de portugueses e de índios, era uma figura de pele negra e de olhos igualmente negros. Um era comerciante e gostava de criar novas palavras, que só a gente entendia. O outro era professor e gostava de andar bem barbeado e alinhado, uma espécie de metrossexual da época. Eles eram infinitamente diferentes entre si. Mas pra mim, eles eram iguais, eram os meus avós, cada um com a sua individualidade. 

Pele negra, branca ou amarela; olhos claros, escuros, amendoados ou puxados; cabelos lisos ou crespos, ruivos ou ralos e tantas outras características físicas, sempre foram apenas características físicas, nada mais. Independente de sexo, raça, cor, credo e um monte de eteceteras, somos iguais na essência da espécie. 

Somos feitos de carne e osso e o sangue que corre nas veias do negro é tão vermelho quanto o sangue do branco. Padrões de informações vitais como pressão sanguínea, temperatura corporal, taxa de glicemia, batimentos cardíacos, é tudo absolutamente igual para todos. 

E quando o coração para de bater e a vida vai embora, negros, brancos e todas as criaturas identificadas como humanos permanecem iguais. Porque são iguais, porque todos nós somos iguais.

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