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As escolhas

Publicado em: 10/06/2018

As nossas escolhas são feitas por convenção, para agradar a alguém, são feitas por necessidade, por desespero, por solidariedade, por amor, por interesse e assim vai


Chocolate ou sorvete? Direita ou esquerda? Preto ou branco? Ficar ou ir embora? Desde a nossa mais tenra idade somos submetidos a esse constante questionamento e não há escolha, temos que escolher e pronto. E essas escolhas têm as motivações mais diversas, porém nem sempre representam aquilo que realmente temos vontade de fazer. As nossas escolhas são feitas por convenção, para agradar a alguém, são feitas por necessidade, por desespero, por solidariedade, por amor, por interesse e assim vai. 

O fato é que todo santo dia fazemos várias escolhas e nem percebemos porque essa prática já se integrou à paisagem, virou rotina e é algo que fazemos automaticamente. Algumas delas são pequenas e passam despercebidas. Já outras, podem mudar o nosso destino e transformar a nossa vida para sempre. Passamos a vida toda sendo obrigados a escolher, mas existem duas escolhas que todos nós deveríamos ter o direito de fazer, mas que na grande maioria das vezes são os outros que fazem por nós. 

A primeira é com relação ao nosso nome: quase todas as crianças já têm nome mesmo antes de nascer, nome que é escolhido para homenagear a alguém, para pagar uma promessa ou para satisfazer o desejo dos pais que gostam daquele nome por esse ou por aquele motivo. Isso tudo, à revelia da pessoa que carregará o nome pela vida toda. Para os inconformados, a legislação brasileira já permite a troca de nome e também dos documentos, basta o indivíduo escolher um novo nome e enfrentar a burocracia.

Quando a gente nasce é assim e quando saímos de cena, acontece a mesma coisa: outros é que escolhem o epitáfio, palavras que ficarão gravadas na lápide. Essa situação é ainda pior porque na ânsia da família querer fazer a melhor homenagem, tudo pode acontecer: textos mirabolantes retirados de algum livro, do Google ou de algum para-choque de caminhão; textos sugeridos pela loja de placas e por aí vai. 

O falecido já começa a ser esquecido nesse momento porque aquelas palavras não foram deixadas por ele e talvez nada tenham a ver com ele, mas é assim que funciona. Que bom que você fez a escolha de ler este texto, antes de virar a página. 

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