Colunas

Há vida inteligente lá fora

Sempre passo por aquela janela, mas é raro eu parar e olhar através dela, mas naqueles poucos segundos que fiquei ali, descobri o óbvio: há vida lá fora

Ontem, por acaso, olhei pela janela e me deparei com um dia infinitamente claro e muito colorido com o vai e vem das pessoas lá embaixo. Vi idosos, crianças e jovens confraternizando em uma academia ao ar livre, instalada ali na calçada. Era por volta das 16 horas, o sol parecia estar sorrindo e a vida estava mais viva do que nunca. Lá no horizonte dava até pra ver o céu tocando o chão, de tão claro que estava o dia. 

Sempre passo por aquela janela, mas é raro eu parar e olhar através dela, mas naqueles poucos segundos que fiquei ali, descobri o óbvio: há vida lá fora. O mundo moderno nos impõe um ritmo quase desumano. Mas, somos humanos. Temos vontades, dores, sentimentos e limitações. Na contramão dessa realidade, há o tempo passando, a sociedade impondo e o mercado medindo. Toda essa corrida com obstáculos molda os indivíduos para que façam tudo automaticamente, quase sem pensar. 

Não vemos o dia passar, estamos sempre correndo. Nem bem comemoramos o Natal e já é Natal de novo. E assim acontece com todas as outras datas importantes. Grande parte de nós, precisa de despertador para acordar e de tarja preta pra dormir porque o relógio biológico está completamente desorientado. Como se não houvesse outra opção, aceitamos essa rotina sem questionamento algum e passamos a agir feito imitações de robôs. E ao assumirmos essa condição, o mercado passa a nos enxergar como peças e não mais como pessoas. 

O problema é que, aos olhos desse mercado, peças quebram, desgastam, depreciam e, mais cedo ou mais tarde, precisam ser repostas para não comprometer o desempenho da produtividade. E aí, no meio dessa maratona frenética, em busca de resultados mirabolantes e metas muitas vezes intangíveis, ouve-se o seguinte, como estratégia de motivação às avessas: “ninguém é insubstituível”.  Eu confesso que, em algum lugar no passado, já cheguei a repetir esse absurdo. Felizmente, hoje não mais. Todos nós seres humanos somos únicos e sem cópia de segurança porque não somos máquinas, arquivos e tampouco peças. Somos todos insubstituíveis, apesar de nos terem ensinado o contrário.

E já que não somos máquinas, sempre que houver uma oportunidade, olhe pra fora. Pra fora da janela, pra fora dos problemas, pra fora do celular, pra fora da rotina. Porque, acredite, há vida inteligente lá fora.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Importante: Comentários com conteúdo sensível, impróprio ou que for considerado inadequado – por qualquer motivo, a critério do moderador – serão sumariamente deletados.

Deixe seu comentário.