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Sejamos todos feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie

Publicado em: 21/05/2020


Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos

O livro de bolso Sejamos todos feministas é uma adaptação do discurso proferido pela autora nigeriana no evento TEDxEuston, em 2012, que conta com mais de 1,5 milhão de visualizações no YouTube. Chimamanda busca, de forma clara e introdutória, responder como e porque o feminismo ainda é essencial no século XXI, e o que significa ser feminista nos dias hoje.

Ao ser chamada de feminista pela primeira vez aos 14 anos, por seu melhor amigo, e em tom de ofensa, Chimamanda Adichie teve que recorrer ao dicionário para saber o que significava o possível xingamento. Ao ler a palavra no dicionário com a seguinte definição: “uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos”, ela percebeu que realmente se encaixava nele e a partir de então abraçou o termo. Afinal, “feminista” não é uma palavra negativa e “feminismo” nunca foi algo ruim.

O primeiro passo para entender e desconstruir um problema de gênero que persiste ainda hoje é admitir que ele existe. Por mais que pareça óbvio que precisamos mudar e melhorar em vários aspectos, muitos ainda se recusam a pensar sobre o assunto ou sobre o papel que desempenhamos nessa estrutura social. Grande parte dos homens não pensa na questão ou nem nota que ela existe, e isso, segundo a autora, é parte do problema.
“Se repetimos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal [...] Se só homens ocupam cargos de chefia em empresas, começamos a achar normal que esses cargos só sejam ocupados por homens.” 
Chimamanda expõe, em seu texto, vários exemplos do nosso cotidiano e também de sua vida na Nigéria e nos faz refletir sobre nosso papel em sociedade. A luta pela igualdade de gênero é extensa, possui séculos de história, e vai além de conquistas legais como o ganho do direito ao voto ou da batalha ainda atual contra a diferença salarial entre homens e mulheres. O feminismo exposto pela autora abrange mais que tais assuntos, e é, de certo ponto, muito mais simples, vai do ambiente doméstico ao do trabalho e até a convivência em sociedade. 

O feminicídio ganhou nome apenas recentemente; a luta contra o estupro, o assédio sexual e a violência doméstica também está só começando, mas por que ainda insistem em negligenciar o fator essencial que o gênero ocupa em todas essas questões? E por que a relutância em enxergar que nós, como sociedade, precisamos repensar alguns ensinamentos para poder agir de maneira definitiva contra coisas que acontecem há séculos? 

É aí que entra o papel da educação, afinal de contas, como a própria autora elucida, somos seres sociais e internalizamos as ideias através da socialização. As normas  sociais relacionadas a gênero nos são limitantes. Somos educados de jeitos diferentes, com regras diferentes. Nos ensinam a forma “certa” de pensar, sentir, e agir de  acordo com nosso gênero, em um regime psicológico que nos delega brinquedos, roupas, sonhos, tarefas, profissões adequados ao nosso sexo. Em suma, temos uma  vida inteira de construções sociais atribuídas ao nosso gênero quando nascemos. Todas essas regras e limitações podem refletir de forma negativa na vida adulta de  homens e mulheres. Rivalidade feminina, feminilidade compulsória, heterossexualidade compulsória, heteronormatividade e masculinidade tóxica são alguns dos  conceitos que exemplificam isso.

“O problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos.”

Meninos e meninas são biologicamente diferentes, isso pode ser irrefutável, mas nossa socialização, ressalta Chimamanda, exagera essas diferenças. Tarefas domésticas ainda são esperadas de mulheres, como se alguma mutação genética as predispusesse a isso. O aprendizado de tarefas que podem ser úteis para a vida prática de qualquer adulto não deveria ser passado para crianças independente de seu sexo?

“E se criássemos nossas crianças ressaltando seus talentos, e não seu gênero? E se focássemos em seus interesses, sem considerar gênero?”
Renunciar a valores tão enraizados no meio social pode ser difícil, mas se propor a mudá-los é essencial. Uma educação igualitária e com foco em ideais mais relevantes que papéis de gênero pode ser a chave para uma revolução muito mais que necessária no século XXI. O ensaio Sejamos todos feministas é esclarecedor e de leitura fácil e rápida, um ótimo texto para introduzir novos leitores ao tema ou para responder às dúvidas daqueles que têm uma visão equivocada do assunto.
 
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