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O fundo é apenas o começo – Neal Shusterman

Publicado em: 17/09/2020



Entender que a história nasce de um sentimento de amor e empatia elucida seu objetivo principal de transformar algo obscuro - como lidar com um problema psicológico - em algo que possa ser compartilhado e compreendido

Existe uma frase em inglês que diz que ter saúde mental é ser capaz de perceber, aceitar e lidar com a realidade sob as condições impostas por ela. Isso quer dizer, basicamente, enxergar as coisas como realmente são, e lidar com elas dessa mesma maneira. Mas se nossa mente é a única medida da realidade que temos, o que acontece quando ela deixa de estar saudável? Esse é um dos questionamentos que Neal Shusterman, autor premiado de ficção juvenil, busca explorar em “O fundo é apenas o começo”, publicado originalmente em 2015. 

O livro é narrado por Caden Bosch, um adolescente americano comum que começa a apresentar comportamentos estranhos, pensamentos intrusivos, crises de pânico e uma luta cada vez mais constante da sua percepção entre realidade e imaginação. Através dos acontecimentos de sua vida real, das gradativas alucinações e seus conflitos internos, acompanhamos o protagonista de 15 anos na jornada profunda de lidar com transtornos psicológicos.

Dessa forma, a obra nos aproxima de entender como funciona a mente de alguém que sofre com a esquizofrenia, além da dificuldade existente em não poder confiar em si mesmo e ter que lutar contra a própria mente, que todas as doenças mentais impõem. Apesar de ser um tema complexo e pouco explorado na literatura, Neal Shusterman encontra uma maneira brilhante e delicada de abordá-lo, com metáforas e paralelos que mergulham o leitor no mundo interno de Caden.

Ao final no livro, na Nota do Autor, descobrimos que a abordagem tão sensível e ao mesmo tempo sincera não é por acaso. Embora a obra seja fictícia, diversos elementos da história foram inspirados na experiência do autor com seu filho, Brendan Shusterman, que sofreu no passado com a esquizofrenia: “as impressões do hospital, o medo, a paranoia, a mania e a depressão são reais. No entanto, a melhora também é real”. Inclusive, todos os desenhos que ilustram a obra foram feitos por Brendan em momentos difíceis da doença.

“Nossa esperança é de que `O fundo é apenas o começo´ conforte aqueles que passaram por isso e lhes mostre que não estão sozinhos. Também esperamos que ajude outros a sentirem empatia e compreenderem como é navegar pelas águas obscuras e imprevisíveis dos transtornos mentais.”

Entender que a história nasce de um sentimento de amor e empatia elucida seu objetivo principal de transformar algo obscuro - como lidar com um problema psicológico - em algo que possa ser compartilhado e compreendido. Aprendemos, além de tudo, que passar por uma experiência como essa nem sempre é o fim da sua história; e mesmo quando não há cura definitiva, saber que existe possibilidade de melhora pode ser o suficiente para continuar lutando.

 

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