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Precisamos falar sobre gênero

Publicado em: 18/03/2020

“Quando nos referimos à equidade de gênero no trabalho, apurou-se que neste ritmo levaremos 257 anos para alcançar a paridade de gênero. Todos somos responsáveis pela mudança”

Sou Gisele Gomes. Sou embaixadora da Global Women’s Leadership Network/Woccu no Brasil. Mas isso, inicialmente, não diz muito, não é?  Que tal assim? Sou mulher, palestrante, mãe, empresária, esposa, consultora, cozinheira e mestranda. Uma pessoa. Múltiplas carreiras. Ou, uma pessoa, múltiplas facetas.  Há, inclusive, um livro que fala sobre as carreiras “barra” e essas múltiplas oportunidades de sermos várias coisas, sem nos colocarmos em uma única caixinha definida. Em outro momento, escreverei sobre o tema. 

A Rede Global de Mulheres Líderes (Global Women’s Leadership Network) é um programa criado em 2009 nos Estados Unidos sob a regência do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (Woccu) com o objetivo de debater as questões de lacuna de gênero nas cooperativas de crédito. Tem como missão proporcionar às mulheres a oportunidade e os recursos para fazerem uma diferença mensurável em suas próprias vidas, na vida dos membros das cooperativas de crédito e em suas comunidades. São oferecidos programas de formação, mentorias, networking e uma plataforma de atuação on-line. 

A Rede Global de Mulheres Líderes atua, mundialmente, por meio de suas “Sister Societies”, que são braços do programa no âmbito dos países membros associados ao Woccu com o objetivo de causar impacto local nas comunidades nas quais estão inseridas. No Brasil, o programa está sob a coordenação do Sicredi. Atualmente, a Rede Global de Mulheres Líderes conta com mais de 109 “Sister Societies” presentes em 26 países, envolvendo diretamente mais de 3 mil pessoas.  

Neste contexto, em 2016, o Sicredi, com o patrocínio de seu presidente nacional, Manfred Dasenbrock, iniciou o programa. Costumamos dizer que Manfred é o grande HeForShe do movimento, fazendo alusão ao Programa da ONU Mulheres, que encoraja homens a apoiarem a causa da igualdade de gênero. O programa em âmbito nacional e do Sicredi foi denominado Comitê Mulher, a fim de traduzirmos para nossa realidade e idioma o trabalho das Sister Societies. Atualmente, temos cerca de 900 mulheres diretamente envolvidas como membras dos Comitês e mais de 10.000 mulheres impactadas por ações como palestras, cursos e doações. 

A criação dos Comitês Mulher objetiva a formação de lideranças para a governança e formação dos Conselhos de Administração e Fiscal das cooperativas. O desenvolvimento destas lideranças visa, sobretudo, capacitá-las para ações de cidadania, de cooperação e voluntariado. O Comitê Mulher, por meio de suas ações, oportuniza o desenvolvimento pessoal (autogestão) e profissional, assim como o crescimento e fortalecimento das mulheres associadas dentro da cooperativa e fora dela. 

Eventualmente, escutamos alguns questionamentos se este movimento global de empoderamento feminino e paridade de gênero é mesmo necessário, visto que as mulheres parecem estar conquistando muitos espaços. E a resposta é um veemente sim! Necessitamos de programas, iniciativas, ações e patrocínio para alcançarmos um mundo mais igualitário e justo para todos nós. Anualmente, o Fórum Econômico Mundial publica um relatório sobre as lacunas de gênero. 
 
A pesquisa é realizada em 153 países e contempla questões relativas à paridade de gênero nas áreas de educação, trabalho, política e saúde. De fato, houve uma série de evoluções, contudo quando nos referimos a equidade de gênero no trabalho, apurou-se que neste ritmo levaremos 257 anos para alcançar a paridade de gênero. Todos somos responsáveis pela mudança e certamente se aliar à causa é a coisa certa a fazer. 
 
Para finalizar esta coluna, compartilho um trecho do livro da Brené Brown (A coragem de ser imperfeito): “Exibir nossa arte, nossos textos, nossas fotos, nossas ideias ao mundo, sem garantia de aceitação ou apreciação, também significa nos colocar numa posição vulnerável.” Então, escrevendo esta coluna procuro sinceramente me conectar com vocês e acolher de forma mútua nossas vulnerabilidades. 

Um afetuoso abraço,
Gisele 

 

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