Colunas

A sua história é o seu poder

Publicado em: 16/07/2020

“Sou uma pessoa comum que se encontrou em uma jornada extraordinária. Ao compartilhar minha história, espero ajudar a criar espaço para outras histórias e outras vozes, ampliando assim o caminho ao pertencimento.” - Michelle Obama

A frase em epígrafe faz parte do livro “Minha História” de Michelle Obama, cujo título em inglês é: “Becoming”, em tradução livre: “Tornando-se”. Confesso que gosto muito mais do título em inglês, cujo verbo está conjugado no presente contínuo ou presente progressivo. O que significa que a história está no presente, mas continua acontecendo, não está finalizada. Assim como a história de todes nós. A coluna dessa edição é um convite para que possamos organizar nossa autobiografia como ferramenta de liderança, empoderamento e conexão. 

Nos grupos de mulheres líderes dos quais participo sempre as encorajo a organizarem e contarem suas histórias. Isto vale para os homens também. E faço isto porque sei que dentro do escopo da nova era da liderança desejamos nos encontrar com pessoas autênticas. É de fato surpreendente que muitas vezes as pessoas tendem a contar sua biografia partindo apenas daquilo que fazem profissionalmente e não daquilo que são enquanto pessoas. Minha sugestão é partir da pergunta: quem é você? Não o que você faz. Tente contemplar quais são as dimensões importantes em sua vida, seus constructos sociais e sua ancestralidade. E vá costurando quem você é a partir de suas experiências vividas. 

Brené Brown diz que fomos programados para contar histórias. E isto ocorre porque em nossa cultura de escassez e perfeccionismo nos sentimos mais vivos e reais ao criarmos vínculos com outras pessoas. O neuroeconomista Paul Zak descobriu que ouvir uma história – uma narrativa com começo, meio e fim – faz nosso cérebro liberar cortisol e oxitocina. Essas substâncias desencadeiam as habilidades singularmente humanas de estabelecer vínculos, sentir empatia e dar sentido às coisas. Ou seja, a partir disto conseguimos criar conexões. Acredito que cada um de nós é dotado de dons e talentos únicos que, quando combinados com os de outros, podem ser uma força poderosa para mudanças positivas. Começa em um nível individual, mas ganha terreno à medida que nos conectamos e colaboramos com aqueles que compartilham nossos mesmos valores e visão.

Aproveitando o gancho de Michelle em relação a espaços e vozes, faço referência ao estudo de 2017 encomendado pela Fundação Bill e Melinda Gates sobre o empoderamento de mulheres e meninas. Deste estudo surgiu um documento, um modelo conceitual no qual consta uma definição da qual gosto muito: empoderar significa ampliar o campo de escolhas e proporcionar o fortalecimento das vozes por meio da transformação das relações de poder. Penso que a relação mais poderosa que devemos ter em conta é a de nosso potencial interior, nossa força. Um passo importante nessa direção é o nosso autoconhecimento e um instrumento significativo é resgatarmos nossa essência. 

Há um provérbio africano que diz que pessoas comuns em lugares pouco importantes podem alcançar grandes feitos. O ordinário, comum, usual pode se transformar em algo extraordinário. Certamente, a história excepcional de Michelle não foi construída nos oito anos nos quais ela esteve na Casa Branca (e ela diz isto), mas sim, em toda sua trajetória. Olhem para si com carinho, respeito e amor. Compartilhem suas forças, mas também acolham suas vulnerabilidades e encorajem os demais a fazerem o mesmo. 

Um afetuoso abraço,
 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Importante: Comentários com conteúdo sensível, impróprio ou que for considerado inadequado – por qualquer motivo, a critério do moderador – serão sumariamente deletados.

Deixe seu comentário.
×

Assine Aldeia

Por apenas R$ 9,90* / mês.

Deixe seu telefone, nós ligamos para você.
Venha fazer parte da nossa tribo!