A revista mais premiada do Paraná
14 anos de história

Mulheres Líderes

Gisele Gomes
Gisele Gomes é embaixadora do Programa Rede Global de Mulheres Líderes – GWLN/WOCCU no Brasil

Violência simbólica

Publicado em: 17/09/2020
Trago estas expressões relativamente novas para refletirmos e criarmos um senso crítico para ambos os gêneros, nos convidando a rever a questão da dominação masculina na nossa sociedade

A violência contra mulheres é uma das principais formas de violação dos seus direitos humanos e é um fator estruturante da desigualdade de gênero. Pierre Bourdieu, sociólogo francês, cunhou um termo denominado violência simbólica, o qual aborda uma forma de violência na qual não há coação física, mas que causa danos psicológicos e morais. Na violência simbólica o capital simbólico das mulheres é menosprezado por inúmeras razões, algumas conscientes e outras inconscientes. 

Para Bourdieu é por meio de sistemas simbólicos como a língua, a arte e a religião que esta violência simbólica vai se construindo e se permeando; aquilo que está nas entrelinhas e vai se infiltrando por nossa cultura. A linguagem, a forma como nos comunicamos, faz parte do universo simbólico. Recentemente foram elaborados termos com origem na língua inglesa para descrever este cenário, dentre os quais cito: manterrupting, mansplaining, gaslighting e bropriating.
Manterruting é a junção das palavras “man” (homem) e “interrupting” (interrupção). E se refere a situação na qual um homem interrompe uma mulher de maneira desnecessária sem que ela consiga concluir seus pensamentos de forma lógica. O termo apareceu pela primeira vez em 2015, em um artigo escrito por Sheryl Sandberg e Adam Grant com o título “Speaking while Female and at Disadvantage” (Falando enquanto mulher e em desvantagem). No artigo é citado um estudo da Universidade de Yale que aborda a razão pela qual as senadoras americanas se pronunciam menos vezes que os colegas. 

Mansplaining - “man” (homem) e “explaining” (explicar). Ocorre quando um homem utiliza seu tempo para explicar algo que é óbvio para a mulher com quem está conversando, e que muitas vezes é inclusive o campo de estudo e trabalho desta mulher.

Bropriating - Quando ocorre a apropriação indevida de uma ideia já apresentada por uma mulher. É a junção de “bro” (brother, mano) e “approprating” (apropriar). 

Gaslighting - derivado do termo inglês gaslight (que é uma luz bem fraquinha, tipo a de um candeeiro a gás). Ocorre quando um homem comete abuso psicológico com a mulher e a faz pensar que ela está elucubrando, que está enganada, que não entendeu bem algum assunto, a fazendo duvidar de suas memórias, raciocínio e percepção. 

Trago estas expressões relativamente novas para refletirmos e criarmos um senso crítico para ambos os gêneros, nos convidando a rever a questão da dominação masculina na nossa sociedade e pensarmos um modelo de equilíbrio entre o masculino e o feminino. Sabe aquela piada misógina? Pode não ter graça. Sabe aquele livro com aquela história que a mocinha cai de amores pelo rapaz rico, lindo e... abusador? É violência simbólica, também. Abração, simbólico e verdadeiro. 
 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Expresse, fale, opine, sugira! Nós queremos fazer nossa Aldeia cada vez melhor.

Importante: Comentários com conteúdo sensível, impróprio ou que for considerado inadequado – por qualquer motivo, a critério do moderador – serão sumariamente deletados.

Deixe seu comentário.
© 2021 REVISTA ALDEIA Todos os direitos reservados.
Alguma dúvida? Nos te ajudamos. Ligue: (45) 3306-5751