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Mulheres Líderes

Gisele Gomes
Gisele Gomes é embaixadora do Programa Rede Global de Mulheres Líderes – GWLN/WOCCU no Brasil

O legado das mulheres no esporte

Publicado em: 11/08/2021
Você já se perguntou por que as mulheres precisam jogar de biquíni e homens podem usar calção e não sunga?

Ao escrever esta coluna estamos vivenciando os Jogos Olímpicos de Tóquio e assistindo a participação numérica quase equânime de mulheres. No Japão a participação feminina do contingente total de atletas é de 48,8% de mulheres e 51,2% de homens. Para os Jogos em Paris prevê-se uma proporção igual de homens e mulheres.

Entendo que muito temos caminhado e logrado no que tange a participação das mulheres tanto nas Olímpiadas quanto nos esportes em geral, em especial quando nos referimos a remuneração, prestígio e direitos. Gosto muito do autor Simon Sinek e da sua teoria: “comece pelo porquê”.

Tenho acompanhado grandes atletas se posicionando em relação à necessidade de paridade de gênero no esporte e sempre penso, que se não questionarmos o status quo, a razão pela qual as coisas são como são não saímos do lugar. 

A jogadora de futebol brasileira, Marta, reiteradas vezes se posiciona e questiona a questão da remuneração das atletas femininas no esporte. Naomi Osaka, tenista americana, que acendeu a pira olímpica tem abordado temas como desigualdade racial e saúde mental.

Foi inclusive ameaçada pelos organizadores de Roland Garros por se negar a participar de coletivas de imprensa, pois para ela isso faz mal à sua saúde mental. Dada a polêmica os organizadores do torneio retiraram as queixas, mas ficou o legado de Naomi em relação ao tema. Ponto para ela! 

As jogadoras da seleção de handebol de praia da Noruega se recusaram a usar biquíni como uma forma de crítica à sexualização dos corpos femininos no esporte. E levaram uma multa por isto. Você já se perguntou por que as mulheres precisam jogar de biquíni e homens podem usar calção e não sunga?

O tema aliás é debate premente há vários anos e reflete sim o sexismo e machismo no esporte. Alguém pode argumentar que estas são as regras. Sim, mas regras podem ser alteradas se não forem justas, não é mesmo? Lembremo-nos de começar pelo porquê. 

Ainda quando abordo o tema da diversidade como um todo cito o exemplo da menina Ruby Bridges que nos anos 1960 foi à escola escoltada pelo FBI por ser uma menina negra a frequentar uma escola com crianças brancas. Os Estados Unidos estavam pululando com as questões de segregação racial. Ruby construiu e legou um caminho para Kamala Harris. Por quê? Porque questionou, se encorajou, mudou o mundo. 

Temos muitas atletas no Brasil e no mundo mudando a cara dos esportes e da sociedade. Em muitas modalidades ditas não tão femininas assim, como a menina Rayssa do skate. Comecemos sendo abertos, inteligentes, críticos e amorosos. Qual o mundo você quer legar para as futuras gerações?

Grande abraço, 
Gisele

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