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Mulheres Líderes

Gisele Gomes
Gisele Gomes é embaixadora do Programa Rede Global de Mulheres Líderes – GWLN/WOCCU no Brasil

O mito da mulher polvo

Publicado em: 16/11/2021
Há afirmações que a priori colocam as mulheres em uma posição de destaque e relevância, mas que estão, na verdade, insufladas de preconceito e estereótipos de gênero.

Dentre elas posso citar o mito da mulher guerreira ou da mulher polvo. Aquela que faz muitas coisas ao mesmo tempo, se supera, é batalhadora. Mas a verdade é que estamos exaustas e é preciso desconstruir alguns pressupostos do senso comum.

De acordo com vários estudos, as mulheres não são melhores para executar mil tarefas ao mesmo tempo, o que denominamos de multitarefas. Na verdade, estamos apenas realizando muito mais trabalho. Dizem que ser multitarefa é um domínio do campo feminino, mas isto nada mais é do que uma falácia tendenciosa.

Nenhum cérebro, seja ele feminino ou masculino, lida bem tendo que executar várias coisas ao mesmo tempo. E prestemos atenção: este totalitarismo feminino se dá apenas no âmbito doméstico e privado. É de fato uma artimanha da sociedade patriarcal para que possamos fazer muito mais sem o devido reconhecimento.

Atividades de alta complexidade tal qual pilotar um avião, realizar uma cirurgia, escrever um artigo científico, requerem atenção plena e absoluta. Logo esta capacidade multitarefa se restringe a atividades menos complexas, mas que acabam por tomar muito tempo.

A ONU Mulheres e diversas fundações no mundo têm estudado a questão da sobrecarga feminina e a síndrome de burnout – distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema relacionada com o excesso de trabalho de um indivíduo e que tem afetado principalmente mulheres.

Precisamos urgentemente pensar: quem cuida de quem cuida? Comecemos então por desconstruções de elementos corriqueiros e que podem passar despercebidos. Podemos e devemos criar um novo modelo mais justo e cooperativo.
 

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