A revista mais premiada do Paraná
14 anos de história

Mulheres Líderes

Gisele Gomes
Gisele Gomes é embaixadora do Programa Rede Global de Mulheres Líderes – GWLN/WOCCU no Brasil

Maternidades

Publicado em: 13/12/2021
A maternidade é uma rede de subjetividades. Assim como não devemos universalizar a categoria mulher é preciso pensar e agir buscando acolher as diferentes formas de maternar

Há algum tempo venho ensaiando escrever sobre o tema maternidade aqui nessa coluna. Confesso que não o havia feito por saber que o tema ainda está envolto em alguns tabus. Faço essa “confissão” para convidar todas as pessoas a refletirem sobre discursos e posicionamentos prontos. 

A maternidade é uma rede de subjetividades, singularidades e práticas diversas. Assim como não devemos universalizar a categoria mulher é preciso pensar e agir buscando acolher as diferentes formas de maternar. Meus esforços enquanto mulher e mãe é no sentido de inaugurarmos debates sobre parentalidade, sobre papeis e responsabilidades.

A maternidade é feita de ambivalências. Há uma multiplicidade de formas de ser e de nos tornarmos mãe. Mas disto sei apenas hoje. Recentemente li sobre um conceito denominado maternidade normativa em um dossiê sobre maternidade da Revista científica Ártemis em um artigo de Andrea O’Reilly - da Universidade de York - Toronto - Canadá. 

O conceito diz respeito a perspectiva tida (ainda) como majoritária na qual existe uma família nuclear e a mãe é a responsável principal pelos cuidados com a criança, pelo bem-estar físico e psicológico. Muitas vezes as mães deixam de trabalhar para cuidar apenas dos filhos ou estão sobrecarregadas com todas as atividades do cuidado.

O que pode ser entendido como uma escolha para algumas, pode ser opressor para outras. Importante reconhecer que algumas mulheres irão escolher ser mães em tempo integral e outras não, isto é uma escolha pessoal e de contexto sócio econômico também. No Brasil há mais de 10 milhões de mães solo (não existe mãe solteira, porque mãe não é estado civil, como comentou Papa Francisco).

E para aquelas que se sentem oprimidas (um dos grandes debates da 2a onda do feminismo) esse não é o sentimento de consenso. Para as feministas negras por exemplo (ler Angela Davis e bell hooks) a maternidade sempre foi um lócus de resistência, de empoderamento e não de opressão (como escreveu Betty Friedan na Mística Feminina).

Entendamos todas as visões estão certas porque detém perspectivas de grupos específicos. Mas não podem ser generalizadas. 

Existem, pois, muitas maternidades possíveis e muitas formas diferentes de maternar. Para avançarmos nas questões de equidade de gênero precisamos ter um olhar mais acolhedor para o tema, com menos julgamento e com oportunidades de debate e novos pensamentos. 

Afetuoso abraço, 
Gisele 

 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Expresse, fale, opine, sugira! Nós queremos fazer nossa Aldeia cada vez melhor.

Importante: Comentários com conteúdo sensível, impróprio ou que for considerado inadequado – por qualquer motivo, a critério do moderador – serão sumariamente deletados.

Deixe seu comentário.
© 2022 REVISTA ALDEIA Todos os direitos reservados.
Alguma dúvida? Nos te ajudamos. Ligue: (45) 3306-5751