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Mulheres Líderes

Gisele Gomes
Gisele Gomes é embaixadora do Programa Rede Global de Mulheres Líderes – GWLN/WOCCU no Brasil

Machismo no trânsito

Publicado em: 18/03/2022
No Brasil, as primeiras mulheres tiraram carteira de habilitação em 1932. Em âmbito mundial, as últimas mulheres a conquistarem o direito de dirigir foram as Sauditas, em 2018

Ao abordarmos assuntos relativos à igualdade de gênero, muitos temas acabam nos atravessando de diversas formas e em diferentes instâncias de nossas vidas. Por alguma razão, a violência de gênero no trânsito tinha me passado relativamente desapercebida por anos.

Mas ultimamente tenho prestado atenção nas interações entre homens e mulheres ao volante, em especial por estar seguidamente vivenciando momentos de agressividade no trânsito. 

Vamos a alguns dados apresentados pelo Departamento Nacional de Trânsito: no Brasil, 89% dos acidentes são causados por homens. Em relação às indenizações de seguros, 70% são pagas a homens.

Essas indenizações também são 17% mais caras do que as pagas para motoristas mulheres. Segundo a OMS, no mundo, 73% das mortes em acidentes na estrada são de homens. Apesar dos números, há ainda um jargão popular que diz: “mulher no volante, perigo constante”. O que é desmentido pelos dados. 

No Brasil, as primeiras mulheres tiraram carteira de habilitação em 1932. Em âmbito mundial, as últimas mulheres a conquistarem o direito de dirigir foram as Sauditas, em 2018. Na Argentina, desde março de 2021, para obter a carteira de habilitação as pessoas precisam cumprir um curso sobre igualdade de gênero.

A formação aborda temas como desigualdade entre homens e mulheres, machismo estrutural, misoginia e a presença da mulher no setor de transportes. 

Precisamos repensar nossa forma de agir e sobre conceitos, preconceitos e vieses inconscientes que trazemos em relação às mulheres ao volante. Eu mesma demorei a tirar minha primeira habilitação por crenças limitantes que meu círculo familiar incutiu em mim.

Muitas mulheres de minha família nunca dirigiram e fui a primeira a quebrar esse ciclo, o que me custou um esforço bastante grande. 

O machismo estrutural presente na nossa sociedade se espraia para essa dimensão do trânsito. Percebamos que muitos homens ainda sonham em ter um “carrão” para conquistar uma mulher.  

Há um jogo de poder nessa relação de controle, da posse do saber e do ter.  Reflitamos homens e mulheres sobre relações mais respeitosas e cordiais para esse mundo mais justo para todas as pessoas. 

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