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Fact-checking analisa declarações de agentes relevantes no debate público

Depois da eleição de Donald Trump, iniciou-se um debate sobre as notícias falsas, produzidas para difamar reputações e divulgar mentiras no processo eleitoral. Estudo recente da FGV alertou para os riscos de contaminação do debate público, que elas podem provocar nas eleições brasileiras de 2018. Nesse contexto, o fact-checking pode ser uma ferramenta importante de depuração, ainda que não esteja livre de controvérsias. Nos últimos dois anos, seu crescimento no Brasil foi significativo, com a atuação da agência Lupa puxando o bonde, mais a Aos Fatos e o projeto Truco. Estamos bem servidos de fact-checking.

Em 2016, cascavelenses montaram um grupo para checar as eleições municipais. Batizado de Valongo, em homenagem ao cais carioca e sua história, o projeto se propôs a classificar declarações feitas na campanha. O uso do humor e a independência das análises não agradaram a política tradicional: uma coligação tentou tirar o Valongo do ar e processou seus responsáveis.

A repercussão desse ataque à liberdade de expressão chegou ao Rio de Janeiro e o Valongo foi convidado a participar, junto da agência Lupa, Aos Fatos e Truco, de um evento chamado Conversa Pública, que já recebeu autores como Fernando Moraes e o vencedor do Pulitzer, Glenn Greenwald. Era a validação, por parte da nata do fact-checking nacional, do trabalho do Valongo na campanha: centenas de declarações coletadas, 24 checagens publicadas e polemizadas por mais de um candidato.

Estava previsto que o grupo se dissolveria depois das eleições. Não foi: criou o Paranhômetro, um medidor de promessas de campanha do prefeito. Trata-se de analisar e classificar se as promessas estão Paradas ou Andando. Ao fim da gestão, teremos um quadro completo de cada uma delas, classificadas em Cumprida, Descumprida ou Cumprida em parte.

Entre o cidadão e o político, não há acordo no fio do bigode, porque em tempos de Lava-Jato, os bigodes foram todos raspados. Passado o período eleitoral, como saber se as promessas dos eleitos foram cumpridas? É o que faremos, essa é nossa contribuição e os resultados começam a aparecer aqui, na Revista Aldeia. Fique de olho.

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