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Pensata

Choro em silêncio

Publicado em: 28/02/2019

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o coração, que agita seu marco
Quando olho o fruto do cérebro humano
Quando olho o bom tão longe do mal

Violeta Parra




Muito antes de eu nascer, o mundo já era mundo! Muito antes de você nascer, também! Somos todos da mesma massa. Somos todos mortais, iludidos no tempo e no espaço. Nosso tempo é esse! Não há como fugir. Nem pra frente. Nem pra trás. Somos filhos desta existência! 

Contemplar a vida assim não é diferente de subir no topo mais alto do universo, olhar para baixo e ver como somos “miúdos”, quase nada. Nada. Isso parece triste, mas nos dá a oportunidade de olhar sobre outro ângulo. Uma dimensão que permite enxergar além de nós mesmos. 

É disso que precisamos. Olhar para o outro. Nada do que acreditei na minha juventude que seria o mundo foi o mundo. Vi as religiões crescerem na mesma proporção do ódio. Vi as pessoas sangrando em preconceito. Vi a ganância matando gente. Vi toda expressão da dor refletida em telas e mais telas. Vi ausência. De amor. De solidariedade. De humanismo.

O único bem que nos resta nestes tempos ferozes é a esperança para continuarmos celebrando a vida. E isso não pode ser medido apenas pelos que estão felizes. Devemos respeito aos que estão tristes. Devemos respeito! 

Às vezes, sinto vergonha. Como pode o ser humano ser capaz de enfeitar jardins, dominar tecnologias, bradar progresso e, ao mesmo tempo, matar outros seres humanos? Como explicar cada menino e menina estuprados? Como explicar cada idoso abandonado? Cada corpo na lama? Como explicar a falta de afeto? De empatia? Choro porque o caminho é árduo. E porque o nosso dever é o amor! 

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